
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) autorizou um inquérito policial contra o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e mandou que ele entregue à Polícia Federal todas as armas registradas em seu nome. A decisão suspendeu temporariamente o porte do parlamentar após uma discussão com militantes do PSOL na Tijuca, Zona Norte do Rio.
Vídeos mostraram Knoploch ameaçando puxar uma arma durante o confronto, ocorrido em frente ao comitê de campanha do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL). O parlamentar também admitiu publicamente que usou spray de pimenta contra pessoas que estavam no local.
A relatora do caso, Tathiana de Carvalho Costa, determinou que Knoploch compareça à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio até 24 horas depois da intimação para entregar o armamento. As restrições valem até 5 de outubro, após o primeiro turno das eleições.
A medida atendeu a um pedido da Procuradoria Regional Eleitoral, apresentado depois de uma notícia-crime protocolada por Serafini. A investigação apura possíveis crimes de impedimento da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria eleitoral, lesão corporal, ameaça, desobediência e eventual porte ilegal de arma.
Candidato do PL a deputado estadual Alexandre Knoploch ameaça puxar uma arma contra militantes de Flávio Serafini (PSOL). Caso ocorreu hoje na Tijuca. Vai vendo… pic.twitter.com/S44OfZVsyF
— Ruben Berta (@ruben_berta) September 28, 2026
Justiça cita vídeos, depoimentos e risco de novos confrontos
Ao autorizar a investigação, a magistrada apontou depoimentos de vítimas e testemunhas, boletim de ocorrência, imagens em vídeo e publicações nas redes sociais como elementos para justificar as medidas cautelares. “A violência armada é o exato oposto da democracia”, escreveu Tathiana na decisão.
A juíza também afirmou que a disputa eleitoral deve respeitar a livre circulação de ideias, sem intimidação. “Em um ambiente democrático, calcado nos regimes do pluralismo político e partidário, as interações devem se pautar na livre circulação de ideias e jamais no poder de intimidação da violência”, declarou.
Knoploch ficou proibido de acessar o comitê de Flávio Serafini e de participar de atos de propaganda eleitoral do deputado do PSOL dos quais tenha conhecimento. Ele também não poderá manter contato, inclusive pelas redes sociais ou por terceiros, com pessoas citadas na decisão e integrantes das equipes de campanha de Serafini e de Maria de Lourdes do Carmo.
A Polícia Federal conduzirá o inquérito sob supervisão do TRE-RJ, com prazo inicial de 30 dias. As diligências incluem ouvir vítimas, testemunhas e policiais, periciar os vídeos, preservar imagens de câmeras de segurança e levantar dados sobre registros de armas, porte, condição de CAC e eventuais guias de tráfego do deputado.