Brasil teve um caso de violência política a cada 44 horas

O Brasil registrou 354 episódios de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, o equivalente a um caso a cada 44 horas. O levantamento é da Terra de Direitos e da Justiça Global e integra a quarta edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil.

Segundo as organizações, o intervalo foi o mais violento dos últimos dez anos entre os períodos pré-eleitorais analisados. O número representa aumento de 18,4% em relação aos 299 episódios registrados entre novembro de 2022 e agosto de 2024.

O levantamento considera o período posterior às eleições municipais de 2024 e anterior ao início da campanha eleitoral de 2026. Os dados referentes ao período de campanha para o primeiro turno, iniciado em 16 de agosto, serão divulgados pelas entidades na próxima semana. Clique aqui para ler a íntegra do documento.

Política municipal concentra violência

A violência atingiu principalmente pessoas que já exerciam mandatos ou cargos públicos: 96,3% das vítimas estavam nessa condição. A política municipal concentrou 63% dos episódios, com vereadores e vereadoras entre os principais alvos.

Dos 354 casos, foram registrados 193 episódios de ameaça, 71 de ofensa, 51 de agressão física, 17 atentados e 11 assassinatos. Entre os 28 episódios classificados como de intenção letal, 24 tiveram como alvo agentes políticos municipais.

São Paulo teve o maior número de registros, com 67 casos, seguido por Paraná, com 31, e Ceará, com 29.

A pesquisa também aponta que 50,6% dos episódios tiveram mulheres como vítimas, embora elas ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas. A violência simbólica — que inclui ameaças e ofensas — atingiu mulheres em 58,3% dos casos desse tipo.

Entre as vítimas mulheres, 64 eram pretas. Ao longo do período, 23 das 32 pessoas que sofreram ataques repetidos eram mulheres. As organizações também registraram quatro ameaças atribuídas a grupos ou perfis declaradamente neonazistas ou supremacistas, todas contra mulheres pretas.

Apenas 2,5% dos casos tiveram punição

O ambiente virtual respondeu por 42,8% dos episódios, com 152 ocorrências. Em 48% desses casos, a autoria não pôde ser identificada.

A pesquisa registrou ainda 64 episódios nos quais o próprio agressor ocupava mandato ou cargo público. Quando somados policiais e outros agentes estatais, representantes do Estado aparecem em 29,9% dos casos.

Outro dado destacado pelas organizações é a baixa responsabilização. Dos 354 episódios, 300 foram alvo de denúncia formal ou pública, mas apenas 46 tinham investigação judicial ou policial em andamento. Somente nove casos, ou 2,5% do total, resultaram em punição efetiva.

As entidades defendem políticas permanentes de proteção ao exercício de mandatos, especialmente para agentes políticos municipais e mulheres, argumentando que os mecanismos atualmente existentes estão concentrados no período eleitoral.

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