Nada como um bom site para organizar e disponibilizar conteúdos importantes de maneira clara e objetiva. Se nas redes sociais, as coisas aparecem e somem o tempo todo, numa página, tudo fica ordenado e fácil de achar. No caso de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, só mesmo um espaço assim para dar conta de uma biografia tão cheia de fatos mal explicados, mentiras e conexões, no mínimo, estranhas.
Num Power Point, certamente não caberia. Então, para facilitar a vida do brasileiro que quer conhecer um pouco melhor o Flávio que o Flávio não quer mostrar, foi criado o Mapa de Conexões de Flávio Bolsonaro — ou flavioemfatos.com . Ali, o internauta encontra os escândalos e investigações relacionadas ao senador e pessoas ligadas a ele e a esses casos.
A base das informações é o noticiário jornalístico, como indica o nome da URL, bem como documentos oficiais. Até o momento em que esta matéria foi publicada, a plataforma disponibiliza nove casos, 32 conexões e mais de 230 fontes jornalísticas num só mapa. Mas, como a vida do senador é bastante dinâmica, a conta pode aumentar.
A linguagem visual faz com que o usuário possa conhecer as tramas que cercam o Zero Um como numa apresentação esquemática e permite conhecer quem é quem nos casos por meio de mapa e lista, além de permitir a busca por assunto.
O site informa que “uma conexão no mapa não indica culpa” e que até esta data, “Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações criminais no STF: a do financiamento do filme Dark Horse e a de suposta calúnia contra Lula, ambas sem denúncia nem condenação”. Na Justiça Eleitoral, há duas ações de investigação sobre a campanha de 2026, abertas em setembro, uma delas por abuso de poder econômico devido às participação do candidato na Festa do Peão de Barretos.
Entre os casos expostos estão o do Banco Master e o suposto financiamento do filme “Dark Horse” — para o qual Flávio pediu mais de R$ 130 milhões e recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, a quem tratava como “irmãozão” — e o famoso caso da rachadinha — que, segundo o Ministério Público do estado, teria resultado no desvio de R$ 6 milhões.

Além destas, há outras situações cabeludas envolvendo Flávio, como a que veio à tona recentemente sobre sua relação (de novo) com milicianos e envolvidos no caso Marielle. Conforme mensagens obtidas pela Polícia Federal, uma assessora de Flávio negociou emenda com Robson Calixto, o “Peixe”, condenado pela morte da vereadora carioca.
Vale destacar, ainda, outro fato, no mínimo, curioso: o registro de empresa de Flávio na mesma sala de 16 firmas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, operador da fraude que roubou dinheiro de milhões de aposentados e pensionistas. A fraude teve início, segundo as investigações, em 2019, mas só foi investigada no governo do presidente Lula.
Entre as conexões apontadas pelo site estão, além de Vorcaro e Antunes, nomes que se tornaram conhecidos da crônica política e policial: Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio envolvido com as rachadinhas; Adriano da Nóbrega, miliciano ligado ao grupo de extermínio Escritório do Crime e que teve sua mãe e ex-mulher trabalhando no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro; o amigo de Flávio e advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da PF; Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também está preso e operou os pagamentos relativos ao Dark Horse, entre outros.
Do total de 29 pessoas conectadas com Flávio apontadas na página, 13 foram presas ou condenadas e 11 são investigadas, foram indiciadas ou alvo da PF. Das outras cinco restantes, uma está morta (Nóbrega), dois tiveram casos arquivados; um foi citado em CPI e uma não teve nenhuma acusação estabelecida.
Entre os temas envolvendo os casos estão lavagem de dinheiro; uso de dinheiro público; crime organizado; uso da máquina pública; tráfico de influência e questões eleitorais. Conforme esclarece a página, “o tema descreve o assunto do que é apurado ou relatado. Não é uma acusação: a situação de cada item indica o papel de Flávio”.