
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prorrogou até 26 de outubro o prazo para renegociação de débitos pelo Desenrola Adimplentes, etapa voltada a pessoas que mantêm os pagamentos em dia, mas carregam dívidas. O prazo anterior venceria após 90 dias de operações e agora passa a totalizar 120 dias.
A extensão consta na medida provisória que criou o Desenrola 3.0. A nova fase prevê até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de dívidas de pessoas físicas com atrasos entre dois anos e quatro anos e meio em cartão de crédito parcelado e rotativo, além de crédito pessoal.
O Desenrola Adimplentes atende trabalhadores informais e autônomos sem vínculo pela CLT que tenham dívidas de até R$ 15 mil. A linha oferece juros de até 1,99% ao mês para a renegociação, e o Ministério da Fazenda estimava no lançamento que a modalidade poderia alcançar de 200 mil a 500 mil pessoas.
A Fazenda afirmou que ampliou o período para que mais pessoas possam utilizar o programa, após dificuldades no início das operações. Bancos privados resistiram às regras que vigoravam quando o governo lançou a etapa, em junho.

Governo alterou regras após resistência de bancos privados
Em 10 de agosto, a equipe econômica alterou as regras para tentar ampliar a adesão das instituições financeiras à linha de crédito subsidiada. Todos os bancos participantes passaram a poder usar recursos próprios nas operações, reduzindo a concentração do crédito no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.
As regras restringem a modalidade a contratos de crédito pessoal não consignado. O consumidor precisa ter pago ao menos quatro parcelas do contrato, e a dívida deve estar em dia ou ter atraso de no máximo 90 dias.
O Desenrola Brasil integra as iniciativas do governo para ampliar o acesso à renegociação de débitos em um cenário de endividamento elevado. Dados do Banco Central apontam que a relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda disponível acumulada em 12 meses chegou a 49,9% em janeiro, recorde da série.
O comprometimento mensal da renda das famílias com dívidas alcançou 28,9% em junho, também o maior nível da série do Banco Central. Esse indicador considera o saldo das dívidas em relação à renda mensal das famílias.