Aliados criticam Flávio Bolsonaro por reação “desordenada” no caso Nossa Senhora

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a criticar a reação “desordenada” do candidato à repercussão de que ele poderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Para interlocutores ouvidos pelo Globo, a campanha abriu novas frentes de desgaste ao acusar pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudarem a disseminar o conteúdo.

A acusação transformou uma crise provocada por um temor entre religiosos em atrito de Flávio com a entidade que reúne os bispos católicos do país. A CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da circulação de desinformação e cobrou provas. “A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a instituição em nota.

O episódio ganhou força nas redes sociais após o ressurgimento de um debate sobre um projeto de lei escrito por um aliado do senador, mas que foi arquivado há quase 20 anos. A proposta tratava da retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, mas Flávio passou a dizer que a associação de seu nome ao tema representava a “maior fake news da campanha”.

A preocupação da campanha se concentra no eleitorado católico a menos de uma semana do primeiro turno. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira apontou Lula com 48% das intenções de voto entre católicos, ante 43% no levantamento anterior, enquanto Flávio oscilou de 27% para 29%; a margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.

Disputa chegou ao STF após decisão do TSE

Na sexta-feira (26), a defesa de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para remover publicações que vinculavam o candidato à suposta medida contra Nossa Senhora Aparecida. O ministro André Mendonça acolheu o pedido e determinou a indisponibilização de 1.170 links indicados nas petições e anexos, desde que reproduzissem o conteúdo delimitado na decisão.

Entre os conteúdos alcançados estava uma publicação do humorista Antonio Tabet, que escreveu, sem citar Flávio nominalmente, que a “família miliciana” havia decidido atacar a santa.

Tabet recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Flávio Dino suspendeu no domingo os efeitos da decisão de Mendonça sobre a postagem; na segunda-feira (28), Dino enviou a controvérsia ao plenário, enquanto o jurídico do candidato apresentou novo recurso.

A campanha também mobilizou religiosos em uma transmissão no canal de Flávio no YouTube, com participação do padre Salathiel de Souza, da Diocese de Jundiaí, e de Padre Kelmon. No domingo, em Goiânia, o candidato afirmou que o PT havia espalhado a mentira “com a ajuda de gente dentro da CNBB”, mas não pretende pedir desculpas nem retirar a declaração.

Na segunda-feira, em São Paulo, Flávio evitou repetir a acusação e agradeceu a nota da CNBB, que descreveu como esclarecedora. A campanha estuda promover um encontro com padres, usar um religioso como porta-voz de eventual direito de resposta e decidiu que o candidato participará do debate da TV Globo na quinta-feira, mesmo sem a presença de Lula.

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