Quaest: Lula volta a ter mais de 50% de probabilidade de reeleição

O presidente Lula com eleitores. Foto: reprodução

A melhora na aprovação do governo e a leve redução na rejeição pessoal fizeram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltar a registrar probabilidade superior a 50% de ser reeleito, segundo a Quaest. O avanço ocorre na reta final do primeiro turno, embora o petista ainda enfrente indicadores negativos de avaliação e tenha desaprovação maior que aprovação.

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (28) mostra que a aprovação do governo Lula subiu de 44% para 46% em uma semana. No mesmo período, a desaprovação oscilou de 50% para 49%. Com isso, o saldo negativo da gestão, que era de seis pontos percentuais, caiu para três.

“Lula volta a ter probabilidade acima de 50% de reeleição”, afirmou Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, ao divulgar os resultados. Apesar da melhora, a situação ainda não é confortável para o presidente.

Isso porque a avaliação negativa da gestão permanece sete pontos acima da positiva. Para 41% dos entrevistados, o governo Lula é negativo, enquanto 34% consideram a administração positiva. Outros 23% avaliam o desempenho do petista como regular.

“A probabilidade de reeleição só não é maior porque Lula continua tendo um saldo negativo de avaliação (-7 pp.). Nenhum presidente foi capaz de vencer eleição no Brasil com saldo negativo a essa altura da corrida presidencial”, explicou Nunes.

Os dados também apontam uma oscilação favorável a Lula nos indicadores eleitorais. O potencial de voto do presidente passou de 45% para 46%, enquanto sua rejeição caiu de 55% para 54%. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa, manteve um potencial de voto de 43% e uma rejeição de 56%.

O cenário mostra que ambos os candidatos continuam enfrentando resistência elevada, mas Lula obteve uma pequena melhora justamente na fase decisiva da campanha. A queda da rejeição e o crescimento da aprovação ampliam as possibilidades de reeleição do petista, ainda que as oscilações estejam dentro da margem de erro.

A popularidade do governo varia de forma significativa entre as regiões do país. O Nordeste continua sendo o principal reduto de Lula: 61% dos entrevistados na região aprovam sua administração, enquanto 36% desaprovam.

No Sul, o quadro é oposto. A desaprovação chega a 60%, diante de 35% de aprovação. No Sudeste, 53% desaprovam o governo e 40% aprovam. Já no Centro-Oeste, os números são mais equilibrados: 49% aprovam a gestão e 45% desaprovam. Nesse recorte, a margem de erro é de cinco pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico.

Segundo a análise divulgada pela Quaest, uma das razões para a recuperação de Lula é a boa recepção de medidas adotadas pelo governo na reta final da campanha. A proibição das apostas esportivas, o reajuste do Bolsa Família e a oferta das chamadas canetinhas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde são alguns desses tópicos.

As mulheres são o grupo que mais aprova essas iniciativas. Entre elas, 64% apoiam a proibição das bets. O fornecimento das canetinhas pelo SUS e o reajuste do Bolsa Família são aprovados por 62%.

Os eleitores de baixa renda demonstram maior apoio às canetinhas emagrecedoras e ao aumento do benefício social. A proibição das apostas, por sua vez, ultrapassa as divisões tradicionais de renda e apresenta aprovação ainda maior entre os entrevistados de maior poder aquisitivo.

Outro movimento favorável ao presidente ocorreu entre os católicos. Lula aparece 13 pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro nesse segmento, seu melhor resultado desde 14 de agosto. Entre os evangélicos, grupo no qual o candidato do PL mantém vantagem, a distância em relação ao petista diminuiu.

A Quaest relacionou essa movimentação à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O questionário da pesquisa já havia sido registrado na Justiça Eleitoral quando o episódio começou a circular nas redes sociais, o que significa que não foram feitas perguntas específicas sobre o caso. Ainda assim, o instituto apontou “forte evidência” de que a controvérsia beneficiou Lula ao ampliar, entre os católicos, o receio de uma nova Presidência da família Bolsonaro.

O medo da volta dos Bolsonaro ao Palácio do Planalto também cresceu entre as mulheres. Entre os homens, houve movimento diferente, com aumento do temor em relação à permanência de Lula no poder. Segundo a Quaest, os dados mostram que a diferença de comportamento eleitoral entre homens e mulheres aumentou na reta final do primeiro turno.

A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 24 e 27 de setembro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Editora Globo.

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