Lula abre 13 pontos sobre Flávio Bolsonaro entre católicos e cresce entre evangélicos, diz Quaest

Lula e o papa Leão XIV. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os eleitores católicos e também avançou no segmento evangélico, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28). Em uma eventual disputa de segundo turno, o petista chegou a 50% entre os católicos e abriu 13 pontos percentuais sobre o adversário, seu melhor resultado nesse grupo desde 14 de agosto.

A melhora ocorreu em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, impulsionada nas redes sociais após a retomada de um projeto arquivado há quase 20 anos que pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. A proposta não entrou em vigor, mas passou a ser explorada durante a reta final da campanha presidencial.

No cenário de primeiro turno, Lula avançou cinco pontos entre os católicos, passando de 43% para 48% das intenções de voto. Flávio também oscilou para cima, mas em intensidade menor: saiu de 27% para 29%. A vantagem do petista nesse segmento, portanto, passou de 16 para 19 pontos.

Entre os evangélicos, Lula subiu de 23% para 27%, enquanto Flávio recuou de 49% para 46%. O candidato do PL ainda lidera nesse grupo, mas sua vantagem caiu de 26 para 19 pontos percentuais em uma semana.

A simulação de segundo turno confirma o movimento favorável ao presidente. Entre os católicos, Lula passou de 46% para 50%, enquanto Flávio permaneceu com 37%. O petista abriu, assim, 13 pontos sobre o senador.

No segmento evangélico, Flávio caiu de 58% para 54%, enquanto Lula avançou de 28% para 30%. A diferença entre os dois candidatos diminuiu de 30 para 24 pontos percentuais.

“Também houve uma leve recuperação entre católicos. Lula aparece com +13 pp a frente de Flávio neste sub-grupo, o melhor resultado do presidente nesse segmento desde 14/ago. Entre evangélicos, a vantagem de Flávio diminuiu”, afirmou Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest.

Nunes destacou que o questionário da pesquisa já havia sido registrado na Justiça Eleitoral quando a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida começou nas redes sociais. Por isso, o levantamento não apresentou aos entrevistados perguntas específicas sobre o episódio.

O diretor da Quaest avalia, porém, que há “forte evidência” de que o tema favoreceu Lula ao aumentar entre os católicos o medo da volta da família Bolsonaro à Presidência. Os números revelam uma movimentação eleitoral, embora não permitam atribuir toda a mudança exclusivamente à controvérsia religiosa.

A disputa começou após publicações sobre uma proposta antiga que buscava retirar de Nossa Senhora Aparecida o reconhecimento legal de padroeira do Brasil. O projeto foi arquivado há quase duas décadas, mas voltou ao debate público durante a campanha.

Na sexta-feira, o ministro André Mendonça, como integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de uma publicação em que o humorista Antônio Tabet falava sobre um suposto ataque à santa. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.

No domingo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou, no âmbito da Corte, a decisão de Mendonça e liberou as publicações nas redes sociais sobre a lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em padroeira do Brasil.

O jurídico de Flávio reagiu e acusou o STF de “usurpação constitucional de competência”. A campanha alegou que a fiscalização do caso caberia à Justiça Eleitoral e afirmou que a defesa de Tabet teria buscado uma autoridade “escolhida deliberadamente” por meio da extensão do pedido.

André Mendonça e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Durante um ato de campanha em Goiânia, Flávio classificou o episódio como um “show de horrores” e acusou Dino de ter autorizado o que chamou de “maior fake news da campanha”.

“Hoje, mais uma vez, o ministro do Lula chamado Flávio Dino acabou de dar mais uma canetada, autorizando a liga da mentira do PT”, disse.

Flávio também acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de reproduzir uma informação falsa sobre o tema. A entidade rebateu o candidato e afirmou, em nota, que “a mentira não se combate com outra mentira”.

A crise ganhou ainda mais espaço depois que Lula se manifestou durante entrevista à Bandeirantes. O presidente afirmou que “mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e defendeu a manutenção do título concedido à santa.

“Eu quero dizer o seguinte: ela vai ser padroeira do Brasil porque o povo quer e tem fé”, afirmou o petista, que chegou a ser alertado por um dos apresentadores sobre a veracidade do episódio.

Além do avanço entre católicos, a redução da distância entre Lula e Flávio no eleitorado evangélico representa um resultado importante para a campanha petista. Esse segmento é um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo e continua dando ampla vantagem ao candidato do PL, mas os números mais recentes mostram uma diminuição dessa diferença tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais no recorte dos católicos e de quatro pontos entre os evangélicos. O nível de confiança é de 95%. Encomendado por O Globo e pela TV Globo, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-06520/2026.

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