
O secretário-geral do Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea), Kevin Casas-Zamora, afirmou que Donald Trump é o “paciente zero” de uma “pandemia de negacionismo eleitoral” que se espalhou por democracias do mundo. Para o cientista político costarriquenho, a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, abriu caminho para o ataque de 8 de Janeiro em Brasília. Com informações de Folha de S.Paulo.
O relatório anual do Idea associa diretamente a erosão democrática nos Estados Unidos a movimentos autoritários em outros países, incluindo o Brasil. O documento aponta que os golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro seguiram um precedente criado por trumpistas que tentaram reverter a vitória de Joe Biden dois anos antes.
Casas-Zamora disse que políticos em vários países passaram a lançar dúvidas sem provas sobre processos eleitorais considerados confiáveis. “No mundo todo vemos políticos que, sem prova alguma, semeiam dúvidas sobre processos e resultados eleitorais críveis”, afirmou.
O secretário-geral avaliou que episódios ocorridos nos Estados Unidos influenciam a política internacional e que os paralelos entre Washington e Brasília são evidentes. Ele também citou a Colômbia, Honduras e Argentina ao tratar da atuação americana em disputas eleitorais latino-americanas.
Idea aponta melhora do Brasil após queda de indicadores no governo Bolsonaro
O relatório registrou avanço de 12 posições do Brasil na categoria de direitos entre 2025 e 2026. Casas-Zamora atribuiu o resultado a um “efeito rebote” após a queda de indicadores durante o governo de Jair Bolsonaro, período marcado, segundo ele, por ataques à liberdade de imprensa, à independência judicial e à credibilidade das eleições.

O levantamento também colocou o Brasil à frente de Argentina, Colômbia, Índia e Hungria em indicadores de Estado de Direito. Ao comentar críticas ao STF, o dirigente disse que há problemas no Judiciário brasileiro que merecem atenção, mas sustentou que a corte teve papel decisivo na proteção da integridade eleitoral diante dos ataques de Bolsonaro ao sistema de votação.
Questionado sobre manifestações de apoio de Trump a Flávio Bolsonaro, Casas-Zamora afirmou que a ingerência dos Estados Unidos em assuntos internos se tornou mais explícita. Ele citou ainda a promessa de apoio econômico à Argentina condicionada a um bom desempenho eleitoral de Javier Milei e disse que a intervenção estrangeira prejudica a competição política.
Sobre a hipótese de Flávio Bolsonaro vencer uma eleição presidencial, o secretário-geral evitou previsões, mas afirmou que há razões para temer retrocesso democrático caso ele se comporte como o pai. Casas-Zamora declarou que o voto na extrema direita é legítimo, enquanto o risco surge quando governos desse campo atacam os controles sobre o exercício do poder.