Brasil deixa plenário e Netanyahu discursa sob vaias na ONU

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou nesta quinta-feira (24) para um plenário esvaziado na Assembleia Geral da ONU. O Brasil e dezenas de outras delegações deixaram o salão sob vaias e protestos contra o genocídio na Faixa de Gaza.

A saída começou antes de Netanyahu chegar à tribuna. Parte dos representantes diplomáticos vaiou o primeiro-ministro, enquanto integrantes da comitiva israelense tentavam abafar o protesto com aplausos. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir silêncio mais de uma vez.

A delegação brasileira era formada por funcionários da missão do país nas Nações Unidas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participava naquele momento de uma reunião em defesa da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), organizada por Brasil, Jordânia e Espanha.

Na abertura da Assembleia Geral, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou diretamente o governo israelense pelo massacre da população palestina. “Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou.

Protestos nas ruas

Centenas de pessoas também protestaram contra Netanyahu perto da sede da ONU. Os manifestantes bloquearam ruas e exibiram faixas com pedidos pelo fim do genocídio e do fornecimento de armas norte-americanas a Israel.

A polícia de Nova York deteve dezenas de participantes. Entre eles estavam as atrizes Susan Sarandon, vencedora do Oscar, e Hannah Einbinder, vencedora do Emmy. Também foram detidos o vereador Chi Ossé e a candidata democrata ao Congresso Darializa Avila Chevalier.

Antes do discurso de Netanyahu, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participou da Assembleia Geral por vídeo. O governo Trump recusou o visto necessário para que ele viajasse a Nova York.

Abbas afirmou que os palestinos enfrentam “morte, destruição, fome e tentativas de deslocamento”, além de uma guerra genocida em Gaza. O dirigente também denunciou a expansão ilegal dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, que ameaça “a própria vida e existência do povo palestino em sua terra”.

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