
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador de campanha de Lula em São Paulo, afirmou em entrevista ao Estadão que o ministro Alexandre de Moraes deve explicações sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Ele reconheceu o papel de Moraes na defesa da democracia, mas disse que isso não lhe dá “salvo-conduto, blindagem ou direito de não se explicar”.
Marco Aurélio lembrou ainda que Moraes “sempre foi antipetista”, foi indicado por Michel Temer e votou pela prisão de Lula, e que está “muito mais no colo da direita brasileira do que no nosso”. Leia os principais trechos da entrevista:
Qual é a sua avaliação sobre o momento que o STF atravessa?
É um dos momentos mais tristes da história da nossa Suprema Corte e do nosso sistema de Justiça. Uma crise sem precedentes, que talvez tenha algum paralelo com a crise gerada pela finada Operação Lava Jato – já que é, fundamentalmente, uma grave crise de credibilidade. Mas é importante dizer que é uma crise do Poder Judiciário, não do presidente Lula, e só ao Poder Judiciário compete construir as saídas institucionais necessárias e possíveis.
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Como avalia o fato de o PT não estar criticando Moraes, pelo menos não na mesma proporção que critica André Mendonça?
Não há armadilha para o PT e para o campo progressista. Devemos reconhecer o trabalho do ministro Alexandre de Moraes na defesa da democracia e das instituições, que foi louvável, corajoso e necessário. Por outro lado, devemos ter a dimensão de que ele não fez nada além do que realmente tinha a obrigação de fazer. Ele tinha a obrigação de defender a democracia e assim o fez. Mas isso não lhe dá nenhuma espécie de salvo-conduto, blindagem ou direito de não se explicar.
Vale para ele o que vale para cada um de nós e para todos. É importante que Alexandre se explique. Ninguém pode estar imune ou blindado de qualquer tipo de explicação. Ninguém tem o direito de não se explicar.
Como o sr. vê a estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro de associar Lula a Alexandre de Moraes?
Flávio não tem um projeto para o País, não tem legado próprio. O do pai, como bem sabemos, é um legado de destruição, de entreguismo e de miséria. […] De toda sorte, é importante dizer que só ao ministro Alexandre compete dar informações sobre seus votos e suas posturas. Regra que vale para todos os ministros. É assim que é e que tem que ser.

Só não podemos esquecer que o ministro Alexandre de Moraes sempre foi antipetista, que foi indicado pelo ex-presidente Michel Temer e que votou para manter a injusta e arbitrária prisão do presidente Lula. Moraes dialogou bastante com o governo Bolsonaro, sempre teve resistência ao PT, ao presidente Lula e ao campo progressista de modo geral. É esse o Alexandre de Moraes que estão querendo colocar no nosso colo. Ele está muito mais no colo da direita brasileira do que no nosso.
Diante de tudo o que veio a público até agora sobre Moraes, o sr. vê elementos que justifiquem seu afastamento?
Defendo, para Chico e para Francisco, rigorosamente a mesma coisa. Alexandre de Moraes não está acima da lei, mas não pode ser tratado como se estivesse abaixo dela.
Devem ser observados os princípios do devido processo legal e da presunção de inocência e deve ser garantido a ele e aos seus advogados o exercício pleno do sagrado direito de defesa. O que veio a público, entretanto, é muito grave e não pode ser relativizado. Ele deve explicações aos colegas da Corte e a todo o País. Mas não vou, por questões de natureza ética, emitir juízos de valor complementares.
[…]
E quanto a André Mendonça?
Houve erros na condução dos dois inquéritos, o que apenas fragiliza as próprias investigações. No entanto, o ministro segue tendo nosso respeito e confiança. Ele tem sido correto na condução do inquérito que envolve o filho do presidente Lula.