“Pau-mandado”: projeção em Nova York mostra Flávio entregando faixa a Trump

“Pau-mandado”. Foi com essa expressão que uma projeção de grandes proporções exibida em Nova York apresentou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na montagem, feita com inteligência artificial, o brasileiro aparece entregando a faixa presidencial a Trump.

A intervenção foi promovida pela organização norte-americana Choose Democracy, em parceria com ativistas brasileiros, na madrugada desta terça-feira (22), quando Nova York recebia chefes de Estado e de governo para a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU. As imagens foram projetadas em pontos conhecidos da cidade, entre eles a Ponte do Brooklyn e uma torre de ventilação do Holland Tunnel.

A mensagem da ação foi construída em torno da defesa da soberania brasileira e do direito dos eleitores de decidir o futuro do país sem interferência estrangeira.

Além da montagem com a entrega da faixa, a ação exibiu as mensagens “Pau-mandado Flávio Bolsonaro” e “Quem manda no Brasil é o povo brasileiro”. Segundo a Choose Democracy, o objetivo foi chamar a atenção de participantes da Assembleia Geral e da imprensa internacional para o debate sobre soberania política e possíveis interferências externas na eleição brasileira.

Na Ponte do Brooklyn, a ação também projetou de forma bem destacada a mensagem “Bora Lula”, expressão que vem sendo usada por artistas e apoiadores do presidente em manifestações públicas de apoio à sua reeleição.

Para Daniel Hunter, integrante da organização, democracia não se resume a quem ocupa determinado cargo, mas envolve o direito de cada povo decidir o futuro de seu próprio país. A mensagem projetada em Nova York transformou essa defesa da soberania em uma imagem de forte impacto político ao mostrar um candidato brasileiro entregando simbolicamente o poder nacional ao presidente de outra nação.

Lula leva defesa da soberania à tribuna da ONU

As projeções antecederam em poucas horas o discurso de Lula na ONU. Seguindo a tradição diplomática brasileira de abrir o debate entre chefes de Estado, o presidente colocou a defesa da soberania e o combate à interferência externa entre os pontos centrais de sua fala.

“A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, declarou Lula.

O presidente também alertou para a ingerência estrangeira em processos eleitorais e defendeu a capacidade do Brasil de proteger sua própria democracia. Além disso, Lula afirmou que o país dispõe de um sistema eleitoral “moderno e robusto” e disse que não permitirá que agentes internos ou externos atentem contra a vontade popular.

A defesa da autonomia brasileira atravessou outros momentos do pronunciamento. Ao tratar das relações internacionais e da pressão de grandes potências sobre países latino-americanos, Lula resumiu sua posição em uma frase: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

Nas ruas de Nova York, a intervenção da Choose Democracy levou essa mesma disputa para o terreno das imagens. De um lado, Flávio Bolsonaro entregando simbolicamente a faixa presidencial a Trump. De outro, a afirmação de que quem decide os rumos do Brasil é o povo brasileiro.

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com agências

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