Agência ligada à CIA fecha acordo para treinar funcionários do Banco Mundial no Brasil

Sede do Banco Mundial em Washington
Sede do Banco Mundial em Washington, nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

O Banco Mundial assinou um contrato com a NobleReach, organização ligada à estrutura de inteligência dos Estados Unidos, para financiar e treinar oito profissionais estadunidenses que atuarão em escritórios da instituição no Brasil, no Panamá e na Colômbia. Duas das vagas ficam em Brasília e duas em São Paulo.

A NobleReach fará uma doação de US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões, a um fundo fiduciário do Banco Mundial para custear as posições. Os selecionados trabalharão nas áreas de análise financeira, infraestrutura e administração, além de receber treinamento e mentoria da organização.

As vagas integram a parceria entre o World Bank Explorer Program e o NobleReach Scholars e são exclusivas para cidadãos dos Estados Unidos. O banco não detalhou se os profissionais participarão de projetos ligados a minerais críticos ou infraestrutura de tecnologia nos países que receberão as equipes.

A NobleReach se fundiu, em 2022, com a IQT Emerge, subsidiária da In-Q-Tel, braço de investimentos da CIA. A entidade também mantém contratos com a NSA, o Departamento de Defesa dos EUA e a Darpa, agência do Pentágono voltada a pesquisas avançadas.

Sede da CIA nos EUA. Foto: reprodução

Diretor brasileiro pediu suspensão das contratações

O diretor-executivo Marcos Vinicius Chiliatto, representante de Brasil, Colômbia, Panamá e outros países no Conselho do Banco Mundial, afirmou que pediu informações sobre a análise prévia feita pela administração antes da assinatura do convênio. Ele também solicitou um parecer jurídico e que as contratações não avancem até a conclusão dessas consultas.

Chiliatto declarou que o assunto cabe à administração do banco, e não ao Conselho de representantes dos países-membros. O governo brasileiro não foi consultado previamente sobre o envio dos funcionários, e o Palácio do Planalto não respondeu aos questionamentos enviados.

Em nota, o Banco Mundial afirmou que seu Programa Explorers recebe financiamento de doadores para oferecer experiência de campo a profissionais em início de carreira de países desenvolvidos. A instituição disse que mantém iniciativas semelhantes com parceiros de diversas partes do mundo.

O Banco Mundial afirmou que os participantes obedecem às normas e aos padrões de conduta da instituição, respondem a seus gestores e não mantêm vínculo hierárquico ou empregatício com o doador. A NobleReach não respondeu às perguntas sobre o acordo. Entre os mentores do programa estão Paul Nakasone, ex-diretor da NSA, e John Raymond, ex-chefe de Operações Espaciais do Departamento de Defesa dos EUA.

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