
Cada vez mais enrolado com Daniel Vorcaro, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou à Corte em 2020 após uma articulação política que envolveu aliados do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) foi escolhido para ocupar a vaga deixada pelo ministro Celso de Mello.
Na época, Flávio Bolsonaro era um dos principais interessados na composição do Supremo. O senador era investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no caso das chamadas “rachadinhas”, que apontava suspeitas de apropriação de parte dos salários de assessores de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A indicação de Kassio foi acompanhada pela expectativa de aliados de Flávio de que um ministro próximo ao grupo político pudesse influenciar o ambiente do Supremo em processos envolvendo a família Bolsonaro. Críticos da escolha chegaram a afirmar que a nomeação poderia representar uma tentativa de proteção ao senador.
A relação entre Kassio e Flávio começou antes da indicação ao STF. A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, colega de Kassio no TRF-1 e próxima da família Bolsonaro, foi apontada como responsável por apresentar o magistrado ao filho do presidente.

Outro personagem citado na aproximação foi o advogado Frederick Wassef, que atuava na defesa da família Bolsonaro. Segundo relatos divulgados na época, Wassef ajudou a aproximar Kassio do grupo político quando o desembargador ainda buscava uma indicação para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O nome de Kassio passou pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que participou da articulação política para aprovação do indicado no Senado. A escolha foi vista como um movimento de aproximação de Bolsonaro com partidos do chamado Centrão.
Durante o processo de aprovação, Nunes Marques negou ter recebido qualquer tipo de “apadrinhamento” para chegar ao Supremo. O ministro afirmou que sua trajetória jurídica era o principal motivo da indicação e disse que atuaria com independência na Corte.