
O Estadão afirma em editorial intitulado “O futebol sobreviverá”, publicado enste domingo (20), que os clubes exageram ao prever a ruína do futebol brasileiro caso as bets sejam proibidas. O jornal sustenta que as casas de apostas dependem mais da popularidade do esporte do que os times dependem do dinheiro dos patrocínios.
“Ora, o futebol brasileiro não dependia do patrocínio da jogatina quando se tornou pentacampeão do mundo. Tampouco a hegemonia brasileira na Libertadores resultou desse tipo de investimento. Os times brasileiros vêm empilhando títulos na principal competição sul-americana muito antes do surgimento das bets no horizonte.(…)

Nesse sentido, o auge do cinismo aparece no final do manifesto, onde se lê que “o torcedor não pode pagar essa conta”, referindo-se ao prejuízo que a proibição das bets ou a restrição de sua publicidade poderá causar aos clubes. Ora, o torcedor que alimenta as bets com dinheiro raspado do orçamento doméstico já está pagando a conta, na forma de endividamento e ludopatia.(…)
As casas de apostas vivem de arrecadar dinheiro produzido pela paixão dos torcedores e nada mais natural do que investir nos clubes mais populares para se ligar de modo visceral ao esporte, de modo que seja impossível dissociar uma coisa da outra. Os milhões despejados no futebol são uma fração da cornucópia gerada pelas apostas. As bets tiveram receita bruta de R$ 36 bilhões no ano passado, enquanto investiram R$ 1 bilhão nos 13 clubes que hoje patrocinam na Série A do Campeonato Brasileiro, segundo levantamento da revista Placar. Ou seja, as bets precisam do futebol brasileiro muito mais do que o futebol brasileiro precisa das bets.”