Apoiada por Lula, Bachelet abandona corrida pela ONU após rejeição dos EUA

A chilena Michele Bachelet e o presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet desistiu da candidatura à Secretaria-Geral da ONU depois de receber 11 votos de desencorajamento em uma consulta preliminar do Conselho de Segurança. A candidatura tinha apoio dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente mexicana Claudia Sheinbaum.

Bachelet anunciou a decisão nas redes sociais e divulgou uma carta em que afirmou que os resultados das votações preliminares indicaram que era hora de deixar a disputa. “A liderança não é apenas saber quando avançar. É também saber quando desistir para que o processo siga seu curso”, escreveu.

A chilena concorria para substituir António Guterres, cujo segundo mandato como secretário-geral termina em 31 de dezembro de 2026. Ex-presidente por dois mandatos no Chile, Bachelet também foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres.

Na carta, ela disse que sua campanha defendeu a escolha de uma mulher latino-americana para o posto. “Continuo acreditando que as Nações Unidas precisam e merecem ser conduzidas por uma mulher”, afirmou.

Na foto, o Conselho de Segurança vota uma resolução que autoriza a criação de uma missão multinacional de apoio à segurança no Haiti.
Foto de ONU Paulo Filgueiras

Brasil, México e Chile apoiaram campanha de Bachelet

Bachelet agradeceu a Lula, Sheinbaum e ao ex-presidente chileno Gabriel Boric pelo apoio político à candidatura. Brasil e México patrocinaram a postulação, enquanto Boric aderiu à iniciativa como copatrocinador.

Durante a campanha, a ex-presidente afirmou que visitou praticamente todos os integrantes do Conselho de Segurança, participou de quatro debates internacionais e de outros fóruns. A proposta, segundo ela, previa reformas para tornar a organização mais eficiente e recuperar a confiança na atuação internacional.

A consulta informal no Conselho de Segurança serve para medir o apoio às candidaturas antes da definição do nome que seguirá para a Assembleia-Geral da ONU. Os 11 votos de desencorajamento recebidos por Bachelet levaram a ex-presidente a retirar seu nome da corrida.

Ao justificar a candidatura, Bachelet citou conflitos internacionais, desigualdade, crise climática, direitos humanos e governança de novas tecnologias. Ela declarou que continuará atuando em iniciativas voltadas à paz, à segurança, ao desenvolvimento sustentável e à defesa da democracia.

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