Brasil teme espionagem com plano de Trump de ampliar presença na América do Sul

Lula
O presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo Lula passou a acompanhar com preocupação o plano dos Estados Unidos de deslocar drones militares para a América do Sul. Segundo reportagem da Débora Bergamasco, pela CNN Brasil, integrantes da gestão temem que os equipamentos sejam usados para espionagem e atravessem fronteiras, atingindo a soberania brasileira. A diplomacia também monitora a ampliação da presença militar estadunidense na região e defende a manutenção da América do Sul como zona de paz.

O alerta surge após os Estados Unidos prepararem a transferência de drones MQ-9 Reaper da África para o Comando Sul, responsável pelas operações militares estadunidenses na América do Sul e parte do Caribe. A quantidade ainda não foi definida, mas uma fonte afirmou que a mudança pode envolver a “maioria” dos aparelhos atualmente vinculados ao Comando da África. Os MQ-9 podem ser empregados tanto em coleta de inteligência quanto em ataques de precisão.

A preocupação em Brasília não se limita ao uso dos drones. Fontes do governo também demonstram receio diante da possibilidade de Washington negociar operações terrestres com países vizinhos. O temor se soma à avaliação feita dias antes por auxiliares de Lula de que o relatório de Trump sobre PCC e Comando Vermelho poderia abrir espaço para ações militarizadas na região. Até o momento, porém, não há indicação de que exista uma operação militar estadunidense planejada contra o território brasileiro.

PCC CV Trump
O exército estadunidense, e ao centro, Donald Trump. Foto: Jaquari Lindsey/Exército dos Estados Unidos

Integrantes do governo fazem também uma avaliação positiva condicionada. Caso a atuação dos Estados Unidos fique restrita ao combate ao tráfico de drogas nos países que aceitarem a cooperação, a iniciativa poderia ajudar o Brasil ao enfraquecer organizações criminosas que operam além das fronteiras. Não houve até agora conversa para que o Brasil peça ou receba os drones.

Além disso, Brasília prioriza parcerias militares que incluam transferência de tecnologia, citando os acordos com a França para o desenvolvimento de submarinos e com a Suécia para o fornecimento de caças. A cautela ocorre em meio à deterioração do discurso entre os dois governos sobre segurança regional. Nesta semana, o Brasil rejeitou como “sem respaldo” a acusação de Trump de que o país falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho.

O próprio plano estadunidense ainda tem pontos em aberto. Não está definido quantos MQ-9 serão transferidos nem a distribuição final das aeronaves, e parte delas ainda pode ser enviada ao Oriente Médio. Enquanto Washington amplia suas parcerias militares na América do Sul, o governo brasileiro mantém o monitoramento do movimento sob dois critérios: cooperação contra o crime organizado e preservação da soberania nacional.

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