
O PL aparece abaixo dos percentuais mínimos de recursos eleitorais destinados a candidaturas de mulheres e pessoas negras na prestação parcial de contas da eleição de 2026. Dono da maior fatia do fundo eleitoral, o partido destinou 26,7% dos R$ 833 milhões já transferidos a candidaturas femininas e 22,8% a candidaturas negras, segundo levantamento da Folha de S.Paulo com base nos dados declarados pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pelas regras da Justiça Eleitoral, os recursos destinados a mulheres devem acompanhar a proporção de candidaturas femininas de cada partido e nunca podem ficar abaixo de 30%. Para candidaturas de pessoas negras, o piso em 2026 é de 30%. O TSE afirma que esses percentuais orientam a distribuição do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. A análise definitiva sobre o cumprimento das regras, porém, ocorre após a prestação final de contas.
Na fotografia parcial usada pelo levantamento, o PL foi a única legenda a ficar abaixo de 30% nos dois recortes. Outras siglas aparecem abaixo do patamar necessário para mulheres ou negros separadamente. No caso das candidaturas negras, Cidadania, Novo, MDB e PSD também registravam menos de 30% dos recursos no conjunto analisado.

A distribuição contrasta com a tentativa do partido de ampliar sua presença entre o eleitorado feminino na campanha presidencial. Flávio Bolsonaro tem reservado espaço na propaganda para falar diretamente às mulheres, chegou a mencionar a possibilidade de indicar ministras ao Supremo Tribunal Federal e apresenta propostas de segurança direcionadas a esse público. Ao mesmo tempo, o PL registrava o menor repasse proporcional do país para mulheres negras: 6,1% dos recursos considerados no levantamento.
O PT, que recebeu a segunda maior fatia do Fundo Eleitoral, aparecia acima dos patamares mínimos no mesmo levantamento. Dos R$ 519,4 milhões declarados, 43% tinham sido destinados a mulheres — que representam 36,8% das candidaturas da legenda — e 35,1% a pessoas negras.
A distribuição de recursos eleitorais já vinha mostrando forte concentração entre um grupo restrito de candidatos. Levantamento anterior mostrou que 7,4% dos candidatos a deputado federal concentram metade do dinheiro público destinado às campanhas para a Câmara. Naquele recorte, o PL tinha 80 candidatos entre os 579 que concentravam metade dos recursos.
Os números atuais ainda não equivalem a uma decisão de que o PL descumpriu a legislação. A análise da Folha utiliza a prestação parcial entregue pelos candidatos, e a Justiça Eleitoral fará a aferição definitiva depois das contas finais. Alguns partidos afirmam ainda que diferenças nos dados podem decorrer de gastos feitos diretamente pelas legendas, recursos destinados a vices e suplentes ou inconsistências nas declarações. O PL não havia respondido aos questionamentos da reportagem até sua última atualização.