Trump terá primeiro encontro com Delcy Rodríguez desde captura de Maduro

Donald Trump de terno escuro e gravata vermelha ao lado de Delcy Rodríguez com blazer rosa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá na terça-feira (22), em Nova York, sua primeira conversa presencial com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, desde a operação militar estadunidense que capturou Nicolás Maduro em janeiro. O encontro ocorrerá durante a Assembleia-Geral da ONU, na mesma cidade em que Maduro permanece preso enquanto aguarda julgamento. Com informações de Isabella Menon, da Folha de S.Paulo.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, confirmou a conversa nesta sexta-feira (18). Trump e Delcy estarão em uma recepção com líderes mundiais após o discurso do presidente estadunidense na Assembleia-Geral. O encontro será reservado e informal, e não terá o caráter de uma reunião bilateral oficial.

A captura de Maduro, em janeiro, foi seguida pela posse de Delcy como presidente interina da Venezuela e pela intensificação das negociações com Washington. O ex-presidente permanece detido em Nova York, onde já foi apresentado à Justiça estadunidense e se declarou inocente das acusações. Após a operação militar, Maduro foi levado aos Estados Unidos sob custódia.

Nicolás Maduro
Comboio escolta Nicolás Maduro e esposa para prisão de segurança máxima em Nova Iorque. Foto: Heather Khalifa/Reuters

Desde então, Delcy passou a negociar diretamente com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio. A aproximação também alcançou a questão eleitoral. No início de setembro, após Trump voltar a dizer que a Venezuela ainda não estaria pronta para um novo pleito, Delcy afirmou que haverá eleições “quando chegar a hora”, sem fixar uma data.

A reaproximação ocorre paralelamente a um amplo acordo no setor petrolífero anunciado no fim de agosto. A Casa Branca afirma que o negócio foi firmado com uma companhia privada, e não diretamente com o governo interino venezuelano, mas prevê direitos econômicos e de governança para os Estados Unidos em uma nova estrutura ligada à exploração de 17 campos, com reservas estimadas em mais de 65 bilhões de barris. Delcy defendeu publicamente a operação e afirmou que seus “benefícios são infinitos”.

O encontro de terça-feira consolida uma mudança profunda na relação entre Washington e Caracas desde a queda de Maduro. Trump passou a elogiar a cooperação do governo interino, enquanto Delcy mantém interlocução direta com a Casa Branca em temas como petróleo, sanções e transição política. Ainda não foi divulgada uma pauta oficial para a conversa em Nova York.

Trump também terá compromissos com outros líderes durante sua passagem pela Assembleia-Geral. Sua agenda inclui encontros com o primeiro-ministro britânico Andy Burnham e com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, além de uma reunião com integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo. O Irã deverá ocupar parte importante das conversas do presidente estadunidense em Manhattan.

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