Lula reitera desejo de acabar com as bets: “Não é jogo, é vício”

Lula Haddad
O presidente Lula e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) durante ato em Guarulhos (SP). Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (18), durante ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende acabar com as bets no Brasil. “Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, declarou, sob aplausos. Em seguida, classificou as plataformas como “a coisa mais horrorosa” que já viu e como “uma loucura da nação”. A manifestação ocorre em meio à discussão no governo sobre novas restrições ao setor.

No discurso, Lula relatou o caso de uma mulher que, segundo ele, perdeu o filho de 26 anos após o jovem acumular dívidas com apostas. O presidente comparou a dependência provocada pela jogatina à devastação causada pelo crack e afirmou que apostadores podem comprometer renda que não possuem na expectativa de ganhar dinheiro. “Não é jogo, é vício, é ludopatia”, disse.

Lula também afirmou que R$ 62 bilhões foram destinados às bets e colocou a perda de arrecadação em segundo plano diante do impacto social que atribui às apostas. “A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, declarou. Na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia usado a mesma ordem de grandeza ao afirmar que cerca de R$ 62 bilhões saem das famílias para as plataformas e que o governo estuda formas de reduzir esse impacto.

O presidente dedicou parte do discurso à reação dos clubes de futebol. Entidades e equipes da Série A se mobilizaram contra possíveis restrições mais duras às empresas de apostas, hoje responsáveis por uma parcela relevante dos patrocínios esportivos. Lula lembrou que o Brasil conquistou as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 antes da atual expansão das casas de apostas e ironizou: “Depois que apareceram as bets, não ganhou mais nada”.

Ele também rejeitou a tese de que medidas contra as empresas provocariam o colapso do futebol brasileiro. “Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, afirmou. Na sequência, elevou o tom: “A gente vai acabar com as bets, e a gente vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira”. Investigações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público apuram casos específicos de lavagem de dinheiro relacionados a operadores de apostas, o que não significa que a acusação alcance indistintamente todas as empresas do setor.

Lula encerrou esse trecho dizendo que pretende conversar com os clubes, mas afirmou que a resistência das empresas não mudará sua posição pessoal. “Os donos das bets não vão querer que eu acabe. Mas eu não sou dono de bets, eu sou o Presidente da República deste país e vou acabar com as bets”, declarou. O discurso amplia uma ofensiva que Lula já vinha fazendo contra o setor: em abril, ele afirmou ao DCM, Brasil 247 e Fórum que as bets estavam “assaltando o povo”.

Apesar da declaração categórica de Lula, uma proibição ainda não está definida. O governo discute uma medida para proibir jogos de cassino online e impor novas restrições às apostas esportivas, mas o desenho final não foi anunciado. Durigan afirmou na quinta-feira que não havia decisão tomada e que qualquer nova medida seria apresentada ofici

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