As críticas feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à postura de André Mendonça na condução do Caso Master, sobretudo às vésperas das eleições, não se limitaram à sessão desta semana. A gravidade das medidas tomadas pelo relator e seus impactos seguem sendo alvo de questionamentos públicos, entre outros, do decano Gilmar Mendes.
Em postagem nas redes sociais nesta quinta-feira (17), o magistrado reforçou o caráter político das ações de Mendonça e do momento escolhido para tal, bem como para a repetição dos métodos irregulares usados na Lava Jato, além de defender o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Sobre o procurador-geral da República, Mendes disse que apesar de sua “reputação sem mácula e uma vida pública de integridade inquestionável”, Gonet teve “sua honra injustamente manchada pelo levantamento da confidencialidade em conversas que não retratavam nada de ilícito. E, naquele exato momento, o dano à sua reputação já estava feito. Ninguém desfaz uma manchete com uma correção tardia no plenário”.
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O ministro se refere ao fato de que ao tirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal, Mendonça teria exposto desnecessariamente Gonet, cujo nome era citado, indicando que pessoas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro estariam tentando uma aproximação com o procurador para se beneficiar no caso Master. Gonet negou qualquer ligação e apontou que Vorcaro não foi beneficiado em nenhum momento pelo PGR, o que fica claro nas recusas às tentativas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do banqueiro.
Na sessão de terça, o próprio Mendonça reconheceu que nada de ilícito contra Gonet havia sido detectado, o que foi também apontado por Gilmar Mendes em sua manifestação feita no X e classificado por ele como “cena lamentável”: “No plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a integridade da conduta de Gonet e admitiu que não havia nada contra ele. Nada. Então, por que expô-lo? Alguém que garante a honra de uma pessoa somente depois de arrastá-la pela praça pública é não corrigir um erro: eles estão confessando que era evitável”.
Outro ponto criticado por Mendes é o uso político do caso por Mendonça, aliado do bolsonarismo. “A intenção de lucrar politicamente com o episódio foi desnudada quando o relator postou um vídeo nas redes sociais agradecendo ao público por seu apoio. Suporte para quê, exatamente? Por um ato que ele mesmo admitiu não ter base contra o indivíduo exposto? Alguém que age dessa forma não é um magistrado imparcial: eles são um fantoche de campanha, um pixuleco eleitoral”.
Na sequência, recorda: “Já vimos este filme antes. Na Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamentos seletivos em um método. A ideia sempre foi criar um fato consumado antes da ação criminosa, colher os dividendos políticos e deixar a defesa lutando depois de um julgamento que a opinião pública já havia prestado. O linchamento coletivo serve para destruir o direito à defesa e enterrar a presunção de inocência”.
O ministro chama atenção, ainda, para a escolha do momento por Mendonça para lançar suspeitas contra membros do STF e da PGR: “E, como na Operação Lava Jato, o momento nunca é coincidência. Lá, as confidencialidades foram levantadas poucas semanas antes das eleições. Aqui, a divulgação veio na véspera de 7 de setembro, para inchar as ruas, extrair dividendos políticos, difamar reputações e intimidar aqueles que se opõem a esse método. No fundo, o alvo é o direito à defesa de pessoas contra as quais esses agentes abrigam algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça”.
Por fim, Mendes se solidariza com Gonet e diz que “uma instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato”.