Brasil e China rechaçam interferência externa nas eleições brasileiras

Brasil e China condenaram tentativas de ingerência nos assuntos internos de outros países durante reunião realizada na quarta-feira (16), em Pequim. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, discutiram as eleições brasileiras e defenderam a soberania dos países.

“Amorim e Wang Yi ressaltaram a importância da defesa da paz, do diálogo e do fortalecimento do multilateralismo. Ambos condenaram tentativas de ingerência em assuntos internos de outros países”, informou o governo brasileiro.

Os dois concordaram que o rechaço à interferência eleitoral é um ponto comum na relação entre Brasil e China. O tema ganhou urgência diante das investidas do governo de Donald Trump contra o Brasil e das ameaças de novas sanções a autoridades do país.

A reunião ocorreu na mesma semana em que o governo Lula rebateu a acusação de Trump de que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho. A declaração foi recebida como uma possível tentativa de usar o narcotráfico como pretexto para interferir nas eleições brasileiras.

Amorim entregou a Wang Yi uma carta de Lula destinada ao presidente chinês, Xi Jinping. O documento destaca “a solidez e a importância estratégica da cooperação bilateral, a convergência entre os dois países e as sinergias entre seus projetos nacionais de desenvolvimento”.

Os dois representantes fizeram ainda um “balanço altamente positivo dos avanços no relacionamento bilateral nos últimos anos”, segundo o governo brasileiro.

Wang Yi afirmou que as relações entre os dois países deram “um grande salto” sob a orientação de Lula e Xi. Para o chanceler, Brasil e China devem aprofundar a cooperação e reforçar a coordenação sobre questões internacionais e regionais.

Amorim declarou que o Brasil está pronto para trabalhar com a China na execução dos acordos firmados pelos dois presidentes e ampliar a parceria em favor de “um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”.

Os dois reafirmaram a disposição de aprofundar o caráter estratégico da “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Sustentável”, criada para orientar a relação bilateral.

Minerais críticos e inteligência artificial

Amorim e Wang Yi também trataram dos minerais críticos e das terras raras. Os dois países defenderam que a exploração desses recursos venha acompanhada de produção nacional, incorporação de tecnologia e agregação de valor.

“O desenvolvimento de capacidades produtivas e tecnológicas para agregação de valor em matéria de minerais críticos e terras raras também foi sublinhado”, informou o Planalto.

O assunto está no centro da disputa entre China e Estados Unidos. Trump busca ampliar o controle norte-americano sobre minerais usados nas indústrias de tecnologia, energia e defesa. No Brasil, setores do bolsonarismo defendem a adesão aos planos de Washington para esses recursos.

A reunião incluiu ainda a cooperação para o “desenvolvimento de inteligência artificial com código aberto e de forma ética e inclusiva”.

Amorim e Wang Yi discutiram as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e a atuação dos Brics como espaço de diálogo. Ao final, defenderam a ampliação da cooperação entre Brasil e China e o fortalecimento do sistema multilateral.

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