Gilmar acusa Mendonça de agir como “pixuleco eleitoral” e compara método à Lava Jato

Gilmar Mendes, ministro do STF. Foto: reprodução

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), detonou André Mendonça nesta quinta-feira (17) e acusou o colega de usar a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para obter dividendos políticos. Em texto publicado no X, Gilmar comparou a atuação do relator do caso Master às práticas adotadas durante a Lava Jato e chamou Mendonça de “pixuleco eleitoral”.

O ponto central da manifestação é a divulgação de conversas envolvendo Gonet. Para Gilmar, o procurador-geral teve sua reputação atingida mesmo sem haver, segundo ele, qualquer indício de ilegalidade em sua conduta. “Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu.

A crítica se refere à sessão de terça-feira (15), quando Gonet se manifestou no plenário e Mendonça afirmou não haver acusação de prática criminosa contra o chefe da Procuradoria-Geral da República. Gilmar questiona justamente por que as mensagens foram expostas se, posteriormente, o próprio relator reconheceu a inexistência de ilícito atribuído ao procurador-geral.

“Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, escreveu nesta quinta, ressaltando as críticas de terça.

Gilmar também voltou suas críticas para a divulgação, por Mendonça, de um vídeo agradecendo manifestações de apoio recebidas após decisões no caso. Na avaliação do decano, a publicação reforçaria sua acusação de que existe interesse político na condução do processo.

“Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disparou. A acusação de finalidade político-eleitoral é de Gilmar e foi rejeitada por Mendonça durante o confronto entre os dois ministros no plenário.

O decano traçou ainda um paralelo com a Operação Lava Jato. Segundo ele, Sergio Moro e Deltan Dallagnol transformaram “vazamento seletivo em método”, criando repercussão pública antes que os casos fossem julgados.

Na comparação feita por Gilmar, a exposição serviria para produzir previamente uma condenação perante a opinião pública, enfraquecendo a presunção de inocência e o direito de defesa.

Ele também relacionou o episódio ao calendário eleitoral. Gilmar afirmou que, assim como ocorria em momentos da Lava Jato, a divulgação aconteceu em período politicamente sensível, às vésperas do 7 de Setembro. Para o ministro, o objetivo seria “inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”.

“Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato”, concluiu Gilmar, antes de declarar “integral solidariedade” a Gonet.

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