BC corta 0,25 p.p. e juros vão a 13,75% ao ano; Brasil segue com maior juro real do mundo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), nesta quarta-feira (16), cortou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia (Selic), de 14% para 13,75% ao ano.  Este é o quinto corte consecutivo dos juros, que voltam ao patamar visto em março de 2025.

Apesar da redução, o Brasil continua com a maior taxa de juros reais do mundo, cenário em que se desconta a inflação projetada para 12 meses. Segundo a consultoria MoneYou e a Lev Intelligence, mesmo com o corte de 0,25 p.p. o país lidera o ranking de juros reais. Veja os dez primeiros países:

  1. Brasil – 8,45%;
  2. Rússia – 6,79%;
  3. Colômbia – 6,33%;
  4. Turquia – 6,25%;
  5. México – 3,08%;
  6. África do Sul – 2,93%;
  7. Argentina – 2,69%;
  8. Hungria – 2,51%;
  9. Indonésia – 2,14%;
  10. Chile – 2,09%.

Conforme projeta o mercado financeiro no boletim Focus, a Selic deve encerrar o ano em 13,75% ao ano, portanto já alcançou o patamar esperado. Isso significa que os analistas esperam que o Copom manterá, pelo menos neste momento, os juros no atual percentual nas duas reuniões ainda restantes este ano (em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro).

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Os juros altos têm sido um dos principais entraves para a economia brasileira nos últimos anos, sendo alvo de críticas do governo, da sociedade e dos setores produtivos. O presidente Lula tem sido um dos principais críticos dos juros altos e já fez duras críticas ao BC, comandado por Gabriel Galípolo: “Acham que alguém que decide a taxa de juros sabe como é que vive esse povo? Não sabem”.

Em entrevista de campanha na Globo, o presidente disse que a taxa básica de juros elevada tem sido uma amarra para o desenvolvimento econômico do Brasil.

O que disse o comunicado do Copom

De acordo com o Comitê, a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta (3%).

Apesar disso, o colegiado entende que poderá “manter a restrição adequada”, para isso pode interromper o ciclo de cortes ou mesmo voltar a elevar os juros para perseguir a convergência inflacionária.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o Copom.

Sobre o cenário doméstico, o entendimento é de que o conjunto dos indicadores econômicos demonstra moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente e de mercado de trabalho aquecido. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, traz o comunicado.

​Em relação ao cenário externo, os diretores do BC entendem que o ambiente “permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

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