Como votou cada ministro do STF em sessão sobre Moraes e Mendonça

André Mendonça e Alexandre de Moraes sentados durante sessão do STF
André Mendonça e Alexandre de Moraes sentados com togas durante sessão do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino pediu vista nesta terça-feira (15) e interrompeu a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que avaliava a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar o ministro como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O placar provisório ficou em 4 a 3 para manter separados os casos de Moraes e de André Mendonça.

Cristiano Zanin e Moraes apoiaram a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para que os dois casos fossem analisados conjuntamente. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra a unificação. Dino indicou que acompanharia Gilmar, mas seu voto não entrou no resultado por causa do pedido de vista, que pode paralisar o julgamento por até 90 dias.

Fachin, presidente do STF, retirou Mendonça da relatoria do processo sobre a relação entre Moraes e Vorcaro no sábado (12) e passou a conduzir o caso. Durante a sessão, Dino questionou a medida. Fachin negou ter “avocado a relatoria” e afirmou que a controvérsia citada pelos colegas se referia à situação anterior à sua decisão.

Moraes disse que, até aquele momento, não havia pedido formal da Polícia Federal, do Ministério Público ou de Mendonça para investigá-lo. O ministro criticou os prazos distintos para os dois processos e classificou o cenário como uma “miscelânia procedimental”. Ele também acusou Mendonça de pedir, em reunião com a PF, sua inclusão em uma colaboração premiada de Vorcaro e afirmou ter testemunhas para sustentar a acusação.

Ministros do STF. Foto: reprodução

Ministros trocaram acusações durante a sessão

Mendonça negou a acusação e a chamou de mentira. Indicado ao STF por Jair Bolsonaro, o ministro afirmou que recebe “advogados de todas as partes” e que não negocia delações com eles. Segundo Mendonça, caso exista uma colaboração premiada, ele analisaria os critérios apresentados no processo.

Gilmar Mendes, autor do pedido para unir os casos, acusou Mendonça de agir com viés político-eleitoral e afirmou que “até as pedras sabem que há um viés político-eleitoral” nas decisões do colega. Mendonça reagiu, pediu respeito e chamou o decano de leviano. Gilmar também citou um relatório de inteligência da PF ao dizer que Mendonça teria agido com condescendência em relação a Kassio Nunes Marques nas apurações ligadas ao Banco Master.

Fux votou contra a reunião dos casos e afirmou nunca ter conhecido Vorcaro, após Dino mencionar mensagens que citavam seu nome. As mensagens apontaram proximidade entre o ex-banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro. Cármen Lúcia acompanhou Fachin e justificou seu voto pela deferência à relatoria, além de lamentar o clima da sessão a menos de 20 dias das eleições.

Dias Toffoli não votou por suspeição de foro íntimo já declarada e disse que havia deixado a relatoria de processos ligados ao Banco Master para preservar o tribunal. Kassio Nunes Marques se declarou impedido e deixou o plenário, alegando que sua presidência no Tribunal Superior Eleitoral exige atenção ao equilíbrio das eleições de 2026; ele negou ligação com Vorcaro e disse que nunca julgou ações relativas ao banco.

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