STF já tem quatro votos para adiar decisão sobre inquérito contra Moraes

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes em sessão do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) tinha quatro votos, até o fim da tarde desta terça-feira (15), para adiar a decisão sobre a abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes votaram pelo adiamento, posição também defendida por Gilmar Mendes.

O presidente da Corte, Edson Fachin, votou para que o julgamento continuasse nesta terça, e André Mendonça acompanhou esse entendimento. A proposta de adiamento prevê unir a análise do caso de Moraes ao processo que envolve Mendonça, marcado para chegar ao plenário no próximo dia 23.

Os ministros discutem também a possibilidade de sortear um novo relator para o caso de Moraes, listar os integrantes da Corte mencionados nas apurações do Caso Master e abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Moraes sustentou que a instrução e o julgamento das petições contra ele e Mendonça devem tramitar juntos. “Risco concreto de decisões contraditórias”, afirmou o ministro ao defender a unificação.

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Impedimentos e contestação à tramitação do caso

Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de votar sobre a eventual investigação. Toffoli disse ter apontado suspeição por foro íntimo para evitar constrangimentos à Corte, mas informou que permaneceria na sessão; Nunes Marques deixou o plenário.

Moraes também contestou os prazos que recebeu para apresentar sua defesa e afirmou que o plenário não poderia autorizar uma investigação sem manifestação favorável do Ministério Público. Ele declarou que o documento encaminhado por Mendonça à Presidência do STF não continha pedido de abertura de inquérito.

“Não há pedido”, disse Moraes. O ministro ainda afirmou que uma investigação contra ele teria começado anteriormente de forma fraudulenta e declarou ter testemunhas para detalhar o que classificou como direcionamento de Mendonça. O colega rebateu: “Mentira”.

Antes da votação, Gilmar Mendes e André Mendonça trocaram acusações durante a discussão sobre a tramitação. Gilmar atribuiu caráter eleitoral à condução do processo e Mendonça pediu respeito, após ouvir do decano a frase: “Até a máfia tem ética”.

Fachin afirmou que não houve avocação do caso de Moraes pela Presidência do STF e disse que Mendonça, então relator, encaminhou os relatórios à Corte. Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo do procedimento e enviou a Fachin conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes.

A PGR, comandada por Paulo Gonet, pediu a anulação das provas reunidas pela Polícia Federal que mencionam Moraes. A defesa do ministro sustenta que as diligências não apresentaram indício de que ele soubesse previamente de decisão da Justiça Federal relacionada à Operação Compliance ou tivesse repassado informações sobre o caso.

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