
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), apoiou nesta terça (15) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça e afirmou que existe uma corporação “paralela”. O magistrado afirmou que ela estaria tentando “peitar ministro do STF”.
“Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF”, disse Fux ao comentar a decisão de Mendonça, submetida à Segunda Turma da Corte.
Mendonça concordou com o colega durante a sessão e afirmou, fora do microfone: “Temos hoje uma PF paralela”. O julgamento virtual já formou maioria para referendar o afastamento de Andrei Rodrigues.
O ministro Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a conclusão do julgamento na Segunda Turma. O presidente do STF, Edson Fachin, deverá definir a situação do diretor-geral da Polícia Federal.
Fux declarou que a Segunda Turma identificou “uma série de desvios de finalidade” na conduta do diretor-geral. O ministro disse que mantém admiração pela Polícia Federal, mas criticou o uso da estrutura policial em posições contrárias ao Poder Judiciário.
[VÍDEO] Fux e Mendonça criticam atuação da Polícia Federal: “PF paralela” com monitoramento de ministros em resposta a Gilmar Mendes. https://t.co/xXFbAMnrsQ pic.twitter.com/4MMzkY1KlV
— BLOGDOBG (@BlogdoBG) September 15, 2026
Relatórios e mensagens abriram crise na cúpula da Polícia Federal
A crise escalou quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal a pedido dele. O documento reuniu mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionavam diretamente o nome “Andrei”, identificado pela própria corporação como Andrei Rodrigues.
Alexandre de Moraes também retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência elaborados de forma oculta pela Polícia Federal ao longo de agosto. Os documentos passaram a integrar o conjunto de informações que ampliou o conflito envolvendo a direção da instituição.
Os relatórios abordaram a atuação de André Mendonça nos casos Master e INSS e trouxeram apontamentos sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias.