
Lideranças do Centrão passaram a temer que a investigação do Banco Master provoque novos vazamentos envolvendo deputados e senadores em meio ao confronto entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O receio aumentou nesta segunda-feira (14), quando a Polícia Federal realizou uma operação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de André Mendonça no Congresso. Com informações da Folha de S.Paulo.
A tensão cresceu depois que o presidente Lula defendeu a abertura ampla dos sigilos ligados ao caso Master. Fachin determinou a retirada de parte das restrições de acesso aos procedimentos, e parlamentares passaram a avaliar que novas revelações podem atingir candidaturas e interferir nas disputas estaduais nas eleições de outubro.
Um dos focos de preocupação é uma lista intitulada “Câmara”, apreendida na churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O documento contém primeiros nomes que a PF considera possivelmente ligados a deputados e números que seriam “provavelmente” valores, mas cuja natureza ainda precisa ser esclarecida. A corporação também investiga suspeitas de favorecimento de Ciro Nogueira no caso Master, além de relações do senador com Vorcaro envolvendo viagens e despesas.
A operação contra Cezinha de Madureira foi autorizada por Flávio Dino, relator de uma investigação sobre suspeitas de desvios e falta de transparência em emendas parlamentares. O deputado é próximo de Mendonça e apareceu anteriormente nos documentos do caso como um dos articuladores da aproximação entre Vorcaro e o ministro. A defesa de Cezinha afirmou que o processo demonstrará que ele não cometeu irregularidades.

Nos bastidores, políticos interpretaram a ação como mais um episódio da disputa entre alas rivais do Supremo. Segundo as lideranças partidárias, existe receio tanto de efeitos colaterais das investigações quanto de que medidas adotadas por integrantes da Corte sejam lidas politicamente como parte do confronto interno entre os ministros.
Deputados e senadores também temem ser associados às festas promovidas por Vorcaro e pessoas próximas ao ex-banqueiro. Uma delas ocorreu no Madame Satã, em São Paulo, e reuniu cerca de 120 mulheres e 20 homens, segundo mensagens analisadas pela PF. Os diálogos mencionam autoridades e políticos como convidados para o encontro, que tinha retenção de celulares para evitar registros.
Entre os nomes citados nas mensagens ou apontados como possíveis convidados estão Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Ciro Nogueira, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Arthur Lira e o empresário Wesley Batista. Segundo a Folha, todos negaram ter participado, e não há registros públicos que comprovem a presença deles na festa.
Líderes do centrão avaliam que uma reação articulada do Congresso deve ficar para depois da eleição, já que deputados e senadores estão concentrados em suas bases. Elmar Nascimento (União Brasil-BA), cujo primeiro nome aparece na lista apreendida na casa de Ciro, defendeu a criação de uma CPI para investigar vazamentos da Polícia Federal. Até lá, a avaliação no bloco é de que a crise do Master continuará produzindo efeitos políticos sobre o Legislativo.