
São Paulo chegou nesta segunda-feira (14) ao setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, com 253,8 milímetros acumulados na capital, em meio aos efeitos de um El Niño considerado um dos mais fortes das últimas décadas. O fenômeno ainda deve ganhar intensidade até o fim do ano e pode manter o país exposto a chuvas extremas, vendavais, alagamentos e ondas de calor. Com informações da CNN Brasil.
O volume registrado no Mirante de Santana fez setembro de 2026 superar todos os demais meses de setembro da série histórica iniciada há mais de oito décadas, mesmo com o mês ainda pela metade. São Paulo já vinha sob alerta para tempestades e risco de alagamentos e deslizamentos, mas a sequência de temporais elevou rapidamente os acumulados.
Os efeitos já ultrapassam a capital. As chuvas deixaram dois mortos e uma pessoa desaparecida no estado desde o último fim de semana. Eldorado, no Vale do Ribeira, foi tomada pelas águas, enquanto o solo encharcado aumenta o risco de novos alagamentos, enxurradas e deslizamentos em áreas vulneráveis.
Moradores de cidades do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, estão evacuando áreas de casas e comércios com receio das enchentes que atingem a região, onde a situação é crítica. Dez das 22 cidades que integram a região do Vale do lado paulista estão entre as que mais… pic.twitter.com/tq4JLQDErk
— Folha de S.Paulo (@folha) September 14, 2026
O meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, afirma que o El Niño costuma provocar chuva acima do normal no Sul, mas a faixa de instabilidade pode avançar sobre partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Segundo ele, Paraná e São Paulo estão entre as áreas mais atingidas neste momento e o cenário deve persistir nas próximas semanas e meses. Vendavais associados à chegada de frentes frias também devem continuar ocorrendo no Sul e no Sudeste.
Ao mesmo tempo, outras regiões podem sofrer o efeito oposto. A previsão é de temperaturas extremamente elevadas principalmente no norte do Sudeste, no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste. O fenômeno é classificado como muito forte e ainda pode atingir níveis históricos nos próximos meses. Em agosto, especialistas já estimavam alta probabilidade de um dos El Niños mais intensos já registrados.
O El Niño é provocado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial, alteração que interfere na circulação dos ventos e na distribuição das chuvas em escala global. No Brasil, isso pode significar excesso de precipitação em algumas áreas e seca e calor intenso em outras. Com o fenômeno ainda em fase de fortalecimento, os impactos climáticos podem se estender até 2027.