Sakamoto: Elo de Vorcaro com PCC tornaria terrorista a grana de Dark Horse?

Daniel Vorcaro
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

Por Leonardo Sakamoto, no Uol

O bolsonarismo adora terceirizar a soberania nacional quando o assunto rende palanque e pânico moral. O senador Flávio Bolsonaro celebrou efusivamente a decisão de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas nos Estados Unidos. A jogada de marketing para inflar a base extremista, no entanto, cria riscos de sanções severas e pode se transformar em um bumerangue financeiro capaz de atingir em cheio o cofre de seu “irmão”, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Do qual ele foi beneficiário.

A ironia dessa cruzada antiterrorista picareta é que as regras financeiras de Washington são vorazes. Se o PCC é terrorista, quem está na cadeia de valor da facção também entra na mira do confisco implacável do Tio Sam.

É exatamente nesse ponto que a hipocrisia de terno e gravata encontra a dura realidade. Investigações da Polícia Federal já tinham mostrado que fundos de investimento suspeitos de integrar a ciranda mágica do Master são os mesmos que aparecem nas apurações de lavagem de dinheiro para o PCC. A engrenagem operada pela Reag Investimentos movimentava cifras bilionárias ligadas a fraudes tributárias da facção e, simultaneamente, maquiava balanços do Master inflando ativos podres.

Dark Horse
Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, em “Dark Horse”. Foto: Divulgação/Go Up Entertainment

Diante desse currículo, toda a grana de Vorcaro enviada aos Estados Unidos ganha um contorno radioativo. Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões e recebeu dele, pelo menos, R$ 70 milhões. Cascalho que cruzou as fronteiras através de fundos sob a justificativa de patrocinar o filme Dark Horse e pode ter sido usado, segundo investiga a PF, para manter Eduardo Bolsonaro enquanto ele conspirava contra o Brasil.

Comprovada uma relação com o PCC, esses ativos poderiam ser tomados pelo Tio Sam. Pois, sob a nova ótica trumpista celebrada por Flávio, seria dinheiro ligado ao terrorismo.

O senador Flávio, que jurou lealdade eterna ao “irmão” Vorcaro, pode descobrir do pior jeito o preço de posar de herói apesar de o armário estar abarrotado de esqueletos. Quando se implora para os EUA enquadrarem as facções, é bom garantir que os próprios aliados não sejam financiadores da estrutura.

O senador pediu que Washington tratasse o PCC como terrorista. Pode acabar descobrindo o que significa “follow the money”. E, se a punição chegar à sua família, o tiro não terá saído pela culatra, mas apenas encontrado o dono.

Artigo Anterior

Alvo da PF, deputado aliado de Mendonça alegou furto do celular, mas não havia B.O.

Próximo Artigo

Super El Niño pressiona SP com chuva recorde e pode ampliar extremos até 2027

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!