“Nem a pau”: atriz que rejeitou “Dark Horse” após convite sigiloso fala ao DCM

Guenia Lemos. Foto: Divulgação

A atriz Guenia Lemos relatou em suas redes sociais que foi procurada para integrar o elenco de “Dark Horse” e recusou o convite por entender que o projeto teria caráter de extrema direita. A atriz escreveu que foi procurada para participar de uma produção cinematográfica americana que, segundo as informações que recebeu, abordaria um fato político real ocorrido recentemente no Brasil. Embora o nome do filme não tenha sido mencionado diretamente na mensagem que recebeu, Guenia notou que se trata de “Dark Horse”.

 

Na publicação no Instagram, Guenia revelou parte da mensagem recebida de pessoas envolvidas na produção e explicou que decidiu não avançar nas conversas. “Quando você agradece muito a sua voz da consciência por ter falado um nem a pau nem mesmo para um teste para um chamado desses… mesmo com tanta filha pra alimentar. Simplesmente o filme mais sujo da história do Brasil”, escreveu.

Na mensagem apresentada por Guenia, os responsáveis pelo contato afirmam que produtores brasileiros estariam dando suporte e consultoria aos americanos envolvidos no projeto. O texto questiona se a atriz teria alguma ideologia política que pudesse impedi-la de participar do filme.

Na sequência, a mensagem afirma que a produção seria baseada em uma história “conservadora” e que “romanceia um fato político real ocorrido há poucos anos atrás na nossa recente história”.

O contato também informa que, embora a história seja brasileira, os principais atores seriam estrangeiros. “Apesar de ser uma história brasileira, os atores principais virão de fora mas vão ter ótimas participações para os nossos atores, mas já precisam entender que não serão os principais e possivelmente não vão receber o roteiro inteiro, apenas as suas cenas.”

Em entrevista ao DCM, Guenia afirmou que não chegou a descobrir detalhes sobre o papel que poderia interpretar, porque decidiu não realizar sequer o vídeo de apresentação solicitado pelos produtores. “Obviamente, assume-se que seja o Dark Horse, mas também nunca foi mencionado o nome da produção nem nada além do que coloquei no stories. Eu só recusei o convite, entendendo que era um filme de extrema direita. Não quis estar conectada a ele”, afirma.

Segundo a atriz, sua fluência em inglês pode ter sido um dos motivos pelos quais ela foi procurada. “Eu imagino que me encontraram pelo elenco digital por conta de eu ser uma atriz fluente no inglês. Não soube nada de papel ou qualquer outra informação porque me recusei a fazer um vídeo introdução.”

Post de Guenia Lemos no Instagram. Foto: Reprodução

Na mensagem compartilhada pela atriz, os responsáveis pelo projeto disseram que não poderiam revelar muitos detalhes por se tratar de uma produção sigilosa e que os acordos de confidencialidade, os chamados NDAs, seriam assinados apenas com algumas pessoas, conforme solicitação dos diretores americanos. A possibilidade de não ter acesso ao roteiro completo também pesou na decisão.

“Pelo que estava escrito na mensagem que publiquei, imaginei que seria uma fria. E era. Além do que, jamais toparia fazer um filme onde eu não possa receber o roteiro inteiro”, diz. “Eu acho que como muitos brasileiros, só quero a abertura total do sigilo com relação ao filme”, declara.

Guenia Lemos reúne três décadas de atuação no teatro, cinema e televisão. Aos 51 anos e com três décadas de carreira, ela atua como atriz, diretora, roteirista e cenógrafa. Com trajetória profissional construída entre Brasil e Estados Unidos, acumula trabalhos no teatro, no cinema e na televisão. N

ascida em Topeka, no estado do Kansas, nos Estados Unidos, Guenia mudou-se para o Brasil aos 3 anos de idade e cresceu em Curitiba. Mais tarde, retornou a Nova York, onde consolidou parte de sua carreira artística. Nos Estados Unidos, formou-se em Teatro e Psicologia pela Fordham University e em Design pelo Fashion Institute of Technology (FIT).

Durante os 15 anos em que trabalhou no país, integrou companhias de teatro como o Goodman Theatre, em Chicago, e participou de produções televisivas, entre elas a série Law & Order. Desde 2010, Guenia está no Brasil. No teatro, foi indicada 12 vezes ao Prêmio Gralha Azul, uma das principais premiações da área no Paraná, e venceu a disputa em três ocasiões.

No cinema, participou de produções nacionais com circulação e repercussão internacional. Entre os trabalhos estão “Estômago II: O Poderoso Chef” (2024), “Traição Entre Amigas (2025) e “Nervo Craniano Zero”. Por este último, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Hollywood Investigator. Guenia também é fundadora da produtora Prego Torto, criada com a proposta de desenvolver narrativas que apresentem mulheres, crianças e idosos como protagonistas de histórias sem recorrer a representações estereotipadas.

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