
Por Anahi Brunetto e Valdeir Souza
Da Página do MST
Neste último domingo (06/09), o MST em Mato Grosso reuniu mais de 200 dirigentes das cinco regiões do estado para debater o cenário das eleições de 2026. O encontro contou com a presença dos candidatos apoiados pelo Movimento: Rosa Neide (1313) para deputada federal, Valdir Barranco (13123) para deputado estadual, Pedro Taques (400) e Carlos Fávaro (555) para o Senado e Dr. Natasha (55) para o governo do estado, todos do time do presidente Lula (13).
Com o objetivo de apontar a Reforma Agrária Popular como essencial para os candidatos e firmar compromissos políticos com o Movimento no estado e com o projeto popular, a atividade foi marcada por forte mobilização política e social. Foi um momento para debater o cenário eleitoral e as demandas históricas do campo.
Mais do que buscar votos, o debate pretende consolidar compromissos concretos dos candidatos com a luta pela terra e o desenvolvimento dos assentamentos, e fortalecer a participação da militância no processo eleitoral. A atividade evidenciou o apoio do MST no Mato Grosso para as candidaturas, destacando o alinhamento com o projeto nacional do governo Lula e destacando companheiros com histórico de defesa dos assentamentos e acampamentos, como a candidata a deputada federal Rosa Neide e o deputado estadual Valdir Barranco.
Foi ressaltada a urgência de eleger representantes que encarem a luta pela terra não como pauta criminal, mas como política de Estado fundamental para garantir cidadania e dignidade às famílias. Como diz Valdeir Souza, da Coordenação Nacional do MST, “lutar por terra em Mato Grosso não é crime. O MST não comete nenhum crime. A gente faz a nossa luta baseada na lei. […] A gente defende dignidade para as famílias.”

Valdeir Souza (Coordenação Nacional do MST)
Durante o debate, também compôs a mesa o companheiro Padre Luiz Cláudio, da CPT Regional Mato Grosso, que apontou os principais desafios da luta pela terra no estado. Ele criticou o que classificou como uma “ineficiência proposital” das instituições na destinação de terras públicas. Esse mecanismo favorece o latifúndio e empurra centenas de camponeses a passarem a vida debaixo de lonas pretas, negando-lhes o direito básico de plantar e viver com dignidade. “Nós estamos em um país […] que 1% de grandes grupos detêm 47% das terras agricultáveis. O que nós queremos é tão somente um lote, um pedaço de chão, pra viver, para criar as famílias, para criar os filhos e filhas com o mínimo de dignidade. Isso não é pedir muito.”
Padre Luiz Cláudio (CPT Regional de Mato Grosso)
Outro ponto central é o alarmante crescimento da violência contra lideranças camponesas no estado, que registra 21 conflitos e 1 assassinato registrados até o início de setembro deste ano. Diante do cenário, o alerta é de que a tendência tenha agravamento nos próximos meses. “Eu quero aqui lembrar a todos os que iniciaram essa luta, a todos os que iniciaram a luta para a construção do MST, um movimento que é de massas e que é de formação de consciência crítica e de consciência política. […] porque ao longo de todos esses séculos, mais de 500 anos, a elite brasileira formou uma narrativa no povo mais pobre, que é quem deveria ter acesso à Reforma Agrária, de que a terra, quem quer, tem que comprar.”
Valdir Barranco (deputado estadual no Mato Grosso)
Os candidatos reafirmaram seu apoio ao MST e ao projeto de Reforma Agrária Popular, defendendo a necessidade urgente de eleger governantes que priorizem a saúde, a educação e a justiça social como pilares para a construção de um país e de um estado mais justo, solidário e humano. Os discursos resgatam a trajetória histórica de luta pela terra em nosso país, evidenciando a dívida do Estado brasileiro com os movimentos sociais do campo, marcada pela ausência de políticas públicas efetivas e pela criminalização das lutas pela terra. Além disso, os candidatos destacaram a importância de fortalecer a agricultura familiar, garantir o acesso à educação e à saúde de qualidade e reverter as desigualdades estruturais. Nós precisamos de coragem, de união e de um compromisso verdadeiro com o povo de Mato Grosso. É a força da nossa gente que vai construir a mudança que nós queremos e que o nosso estado merece!
Carlos Fávaro (Senador da República)
A plenária encerrou-se com esses desafios colocados à mesa, solicitando dos candidatos um compromisso real com a luta dos povos do campo, águas e florestas. O MST no Mato Grosso reforça que a disputa eleitoral de 2026 representa um passo decisivo não apenas para eleger aliados da classe trabalhadora, mas para recolocar a Reforma Agrária Popular no centro do debate público e garantir que a terra cumpra sua função social em Mato Grosso e em todo o Brasil.
*Editado por Fernanda Alcântara