
A primeira-dama Janja da Silva subiu o tom contra Jair Bolsonaro e seus familiares nesta quarta-feira (9), durante um comício da campanha do presidente Lula em Teresina, no Piauí. Em discurso diante de apoiadores, ela afirmou que a família Bolsonaro não possui um projeto para o país e disse que, “se dependesse do Bolsonaro, os nordestinos estavam comendo capim”.
“A família Bolsonaro não tem projeto para esse país. O projeto da família Bolsonaro é um projeto pessoal, voltado para proteger seus próprios interesses e beneficiar apenas os seus”, afirmou Janja. Na sequência, disse que o grupo político representa “retrocesso” e um “projeto de medo”. O ato contou com Lula, o governador Rafael Fonteles, candidatos ao Senado e integrantes do governo federal.
Janja também contrapõe o atual governo ao período de Jair Bolsonaro, que classificou como o “Brasil das filas dos hospitais, do abandono e do medo” e o “Brasil da barbárie”.
A referência ao “capim”, porém, precisa de uma distinção factual. Circulou durante anos a afirmação de que Jair Bolsonaro teria mandado especificamente nordestinos comerem capim.
🗳️ ELEIÇÕES | Janja: “Se dependesse do Bolsonaro, os nordestinos estavam comendo capim”
Segundo a primeira-dama, o bolsonarismo busca favorecer um projeto pessoal. Declaração foi dada durante ato de campanha de Lula no Piauí pic.twitter.com/Xj6t6MwydK
— Metrópoles (@Metropoles) September 9, 2026
Bolsonaro também protagonizou outro episódio envolvendo a expressão. Em 2008, após receber um copo de água de uma liderança indígena durante audiência sobre a reserva Raposa Serra do Sol, afirmou que o homem deveria “comer capim” para “manter as suas origens”. Portanto, a fala de Janja funciona como ataque político e associação com declarações anteriores de Bolsonaro, mas não deve ser apresentada como reprodução literal de uma frase dirigida por ele aos nordestinos.
O tema já apareceu na própria campanha eleitoral de 2018. Naquele ano, eleitores de Lula reagiram publicamente à provocação envolvendo capim, e apoiadores de Bolsonaro chegaram a repetir a provocação contra adversários políticos no Recife.
Em Teresina, Janja tentou transformar essa memória das disputas anteriores em argumento eleitoral contra Flávio Bolsonaro e o grupo político do ex-presidente. “Eles acham que a gente não tem memória”, afirmou, antes de dizer que os eleitores não deveriam esquecer o período em que Bolsonaro esteve no Planalto.