
Uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro afirmou à Polícia Civil que não presenciou qualquer manifestação de apologia ao nazismo durante a aula que antecedeu o espancamento do estudante de História Diego Costa da Silva Araújo no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). A docente declarou ainda que aquele era seu terceiro contato com a turma e que até então não havia identificado problemas envolvendo Diego ou os outros estudantes. A informação consta de reportagem do Estadão reproduzida pelo UOL.
O relato se soma aos depoimentos de dois vigilantes que trabalhavam no prédio naquela noite. Os seguranças disseram à polícia que não viram Diego proferir ofensas raciais ou xingar colegas. Um deles afirmou que o estudante apenas repetia que não era nazista e tentava se defender. Outro declarou que Diego “em momento algum falou nada” e somente buscava se proteger das agressões.
As versões são relevantes porque o estudante de Direito Deivid Lima, que entrou na sala e deu voz de prisão a Diego, afirma ter sido agredido e alvo de injúria racial durante a confusão. Deivid diz que foi chamado de “macaco”. Diego nega tanto a acusação de racismo quanto a de apologia ao nazismo e afirma que não atacou os colegas.
Alunos da @ufrj do Centro do Rio, agrediram um estudante do curso de História, que foi para a aula usando símbolos atribuídos ao nazismo. O aluno vestia uma camiseta da banda britânica Death in June, que faz referência ao facismo e nazismo, e um botton com uma suastica. pic.twitter.com/qH48KECJTV
— Informe RJO (@InformeRJO) August 27, 2026
Diego foi agredido por um grupo de estudantes em 25 de agosto, depois de comparecer à aula usando uma camiseta da banda britânica Death in June. A peça exibia uma caveira semelhante à Totenkopf, símbolo utilizado por unidades da SS nazista. Ao mesmo tempo, o estudante usava um broche com uma suástica cortada por um sinal vermelho de proibição. Ele sustenta que a combinação tinha caráter antinazista e diz estudar fascismo e nazismo academicamente.
Um terceiro vigilante não acompanhou o início do episódio. Segundo seu depoimento, ele estava no refeitório quando ouviu gritos e, ao chegar ao saguão, viu uma multidão empurrando e agredindo Diego até a área externa do prédio. A professora e os vigilantes também relataram que não havia gestores do IFCS presentes para administrar a crise naquele momento. Procurada sobre essas versões, a UFRJ ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Depois do episódio, o IFCS anunciou medidas para disciplinar situações semelhantes. As orientações tratam de tentativa de prisão em flagrante realizada por particulares, presença de pessoas que não pertencem às turmas dentro das salas, gravação de imagens e fluxo de acionamento das autoridades universitárias. A Polícia Civil continua apurando as acusações feitas pelos envolvidos e as agressões registradas durante a confusão.