
Poucas figuras públicas enfrentam uma situação tão esdrúxula quanto a de Deltan Dallagnol, beneficiado por brechas muito estranhas deixadas pelo sistema de Justiça. Foi por uma dessas brechas que ele escapou de novo nesta terça-feira, no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
O TRE decidiu, por 4 votos a 3, que o lavajatista pode registrar sua candidatura ao Senado pelo Novo. Uma ação no tribunal questionava se Dallagnol não estaria inelegível, porque teve o registro de candidato a deputado federal cassado em 2023, depois de ter sido eleito em 2022.
Com a cassação do registro, em consequência o mandato também foi cassado. Dallagnol foi acusado e condenado por ter tentado ludibriar procedimentos de sindicâncias da corregedoria do MP (por desmandos na Lava-Jato), afastando-se do Ministério Público e refugiando-se numa candidatura à Câmara.
Mas uma questão ficou em aberto: ele estaria inelegível? O TSE deixou a porteira aberta, como sempre acontece quando os condenados são da extrema direita, para que Dallagnol escapasse. O voto de minerva desta terça, quando estava 3 a 3, foi do presidente do TRE, Luciano Carrasco Falavinha Souza.

Não há, em TRE algum, decisão nessa área eleitoral que contrarie os interesses dessa gente. O pedido de impugnação do registro havia sido feito pela coligação integrada por PT e PDT ao governo do Paraná. Os partidos vão recorrer ao TSE.
O TRE do Paraná já havia poupado Dallagnol na primeira vez, quando do pedido de cassação do registro de 2022 a deputado. Ele só teve o registro cassado pelo TSE.
Dallagnol também foi poupado até hoje das denúncias de que tentou se apropriar de R$ 2,5 bilhões da Petrobras para criar uma fundação. Só há uma servidora pública punida nesse caso, a juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara da Lava-Jato em Curitiba.
Gabriela foi punida em agosto pelo Conselho Nacional de Justiça e ficará afastada da magistratura por dois anos. Por ter avalizado o acordo para criação da fundação. E Dallagnol, o autor da ideia, que transformou a juíza em sua cúmplice? Com este não aconteceu nada até hoje. O TSE vai julgar seu caso antes da eleição?