
A decisão do ministro André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal, nesta terça-feira (8), elevou a preocupação na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aliados do pré-candidato temem que a disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) produza desdobramentos capazes de atingir sua candidatura.
O grupo bolsonarista avalia que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino podem impulsionar investigações sobre desvio de emendas parlamentares e sobre o caso “Dark Horse”. A apreensão cresceu em meio à pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7), que apontou empate técnico entre Flávio e o presidente Lula em um eventual segundo turno.
Entre os cenários discutidos por aliados do senador estão novas ações no Rio de Janeiro contra pessoas próximas a ele. O estado é o terceiro maior colégio eleitoral do país e base política da família Bolsonaro.
Moraes já autorizou uma operação para apurar suspeitas de fraude e sonegação fiscal no setor de combustíveis no Rio.
O ministro também determinou investigação sobre lavagem de dinheiro por facções e milícias e sobre a infiltração de organizações criminosas no poder público, além de retirar o sigilo de autos com informações sobre negociações e telefonemas do ex-governador Cláudio Castro, aliado de Flávio.

Perícia e cobrança da PF sobre “Dark Horse”
A maior preocupação da campanha recai sobre a jornalista Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro previsto para estrear após as eleições. Aliados citam como riscos uma busca e apreensão na empresa, quebras de sigilo e outras medidas de investigação. “O STF vai nos revidar, já normalizamos isso”, afirmou um integrante da campanha.
O filme entrou no centro da crise depois de o Intercept Brasil publicar mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro, nas quais o senador cobraria recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção. Um interlocutor de Moraes e Dino afirmou que os ministros devem reagir: “Mendonça e Dino vão dobrar a aposta. Vem coisa por aí”.
Uma perícia privada contratada pela própria Go Up apontou que apenas as filmagens ocorreram no Brasil entre as cinco etapas de produção do longa. O documento calculou que 72% dos gastos ficaram nos Estados Unidos e 28% no Brasil, com custo total estimado em US$ 13,39 milhões, ou R$ 75,18 milhões na cotação usada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco.
A perícia declarou ter analisado extratos bancários e detalhes das despesas, mas esses documentos não acompanharam o relatório. No mês passado, a Polícia Federal pediu esclarecimentos à produtora sobre aspectos “financeiros, contratuais e operacionais” de “Dark Horse”; a Go Up enviou resposta na sexta-feira (4), com milhares de documentos distribuídos em 17 arquivos em PDF.