
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recusou os apelos de aliados e integrantes de sua campanha para participar do debate da TV Globo nesta quinta-feira (01). No horário do encontro com os adversários, ele participará do Flow Podcast.
Segundo o Globo, aliados do presidente usaram pesquisas qualitativas como uma das tentativas para fazê-lo mudar de ideia. Os levantamentos indicavam impacto negativo para sua campanha caso ele não comparecesse ao programa. Lula, porém, repetiu que não aceitaria falar por dois minutos para “apanhar” 20. A frase resumiu a justificativa apresentada pelo presidente para manter a ausência no debate.
Até esta quarta-feira (30), Lula ainda recebia pedidos para rever a decisão. Ele se irritou com as insistências e afirmou a interlocutores que não mudaria de posição.
Podcast ocupará horário antes do debate
Aliados apontaram Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) como possíveis críticos de Lula durante o debate. A eventual presença de Flávio no programa da Globo ampliou a relevância da escolha do presidente.
Em vez do debate, Lula participará do Flow Podcast nesta quinta-feira (1º). A entrevista está prevista para começar às 20h45, 45 minutos antes do início da transmissão da Globo.
A agenda no podcast permite que Lula mantenha uma aparição pública enquanto os outros candidatos estarão reunidos no estúdio da emissora. A decisão também preserva o presidente de responder diretamente aos adversários no formato de debate.

Ausência em debates não é novidade
A ausência do presidente em um debate de primeiro turno tem precedentes em campanhas vitoriosas. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1998, e Fernando Collor de Mello (PRN), em 1989, recusaram todos os debates da etapa inicial das eleições que venceram.
O próprio Lula também adotou a estratégia em 2006, quando buscava a reeleição. Apesar de não comparecer aos debates do primeiro turno, ele venceu a disputa nas urnas.
Em 1998, a equipe de FHC sustentou que o então presidente precisava concentrar-se na gestão do país diante da crise econômica internacional, marcada pelos efeitos das crises asiática e russa sobre a estabilidade do Plano Real. A campanha também criticava a regra que previa a participação dos 12 candidatos à Presidência.
Em 2006, Lula enfrentava os efeitos políticos do escândalo do Mensalão. Em carta enviada à Globo, o presidente argumentou que sua presença transformaria o debate em uma “arena de ataques pessoais”, explicação que a emissora não aceitou e respondeu com uma cadeira vazia no cenário.
Collor liderava as pesquisas quando recusou debates no primeiro turno de 1989. Ele alegava que o formato televisivo não permitia apresentar propostas com profundidade e favoreceria ataques coordenados dos adversários contra quem liderava a corrida eleitoral.