
Por Associação Amigos da ENFF
Da Página do MST
Há livros que nascem para o repouso das estantes, mas há aqueles que escolhem a estrada. Nos acampamentos, assentamentos e ocupações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a palavra escrita é ferramenta de emancipação, trincheira de ideias e companheira de jornada. É com esse espírito que surge e se alastra a iniciativa da Biblioteca Itinerante Ernesto Che Guevara: uma biblioteca sem paredes fixas, feita de mãos vivas, olhos acesos e passos firmes na direção de um horizonte mais justo. Inspirada pelo internacionalismo e pela mística que une a revolução à sede de saber, a biblioteca carrega no nome o legado do guerrilheiro que encontrava na leitura uma segunda natureza, indissociável de sua ânsia por transformar o mundo. Como o próprio Che demonstrava em sua trajetória, estudar e teorizar a realidade não anula a ação; pelo contrário, dá substância, profundidade e rumo ao compromisso revolucionário. Na bagagem dessa iniciativa, os livros não são objetos decorativos, mas sementes lançadas ao vento da história, prontas para germinar em consciência crítica e rebeldia criativa.
A literatura como terra fértil na mística do MST
No cotidiano da luta pela terra, a cultura e a literatura ocupam um lugar fundamental. No MST, a Reforma Agrária que se busca não se resume à partilha do solo; ela é, visceralmente, a democratização do saber, da arte e da beleza. Enquanto o sistema hegemônico tenta aprisionar o conhecimento e transformar a cultura em mercadoria, os movimentos populares reafirmam que ler é um ato político de resistência. Nos acampamentos e assentamentos, onde o trabalho coletivo constrói a autonomia, a literatura atua como o oxigênio que alimenta os sonhos. Ela permite que os sujeitos compreendam sua própria história, reconheçam-se nas lutas de quem veio antes e formulem, coletivamente, as alternativas para os dilemas do presente. É o exercício prático da “escutatória” e da partilha, transformando a palavra impressa em território comum de encantos, cantos e solidariedade de classe.
O convite à marcha: livros que caminham e despertam a imaginação
Para que essa engrenagem de afeto e saber continue rodando, a Biblioteca Itinerante Ernesto Che Guevara opera na base da reciprocidade e da partilha comunitária. O convite é direto e urgente a toda a militância e aos aliados da causa popular: abrir as portas das casas, revisar as estantes e libertar os livros que aguardam por novos leitores. Mais do que manuais ou livros técnicos, o chamado é para a doação de obras de literatura, poesia, crônicas e narrativas que desafiem o senso comum, expandam horizontes e despertem a imaginação e o senso crítico. São esses textos que alimentam a sensibilidade humana e ajudam a desenhar, na mente e no coração, o mundo que queremos construir.
Como fazer sua doação chegar à Biblioteca Itinerante Che Guevara:
• Ponto de Coleta Presencial: Você pode entregar suas doações diretamente no Armazém do Campo SP, localizado na Alameda Nothmann, 806 – Campos Elíseos, São Paulo – SP.
• Doação por Correio: Caso prefira enviar de outras localidades, o pacote pode ser remetido para a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).
Endereço: Rua José Francisco Rapouso, nº 1140 – Bairro Jardim Parateí, Guararema – SP. CEP: 08900-000. CNPJ para envio: 07.391.370/0001-46 (Escola Nacional Florestan Fernandes – ENFF).
No momento de enviar pelos Correios, por favor, especifique claramente no pacote ou na etiqueta que a remessa é “Para a Biblioteca Itinerante“.
Dica importante: Para facilitar o envio, utilize a modalidade de Impresso Módico dos Correios (Tarifa de Livros). É um serviço postal especial e mais econômico voltado exclusivamente para o envio de livros, garantindo que o frete caia de preço e caiba no bolso de quem quer colaborar com a cultura popular.
A dinâmica é simples e viva. Os exemplares circulam de forma direta, esperando para ser escolhidos, lidos e repassados adiante. A regra de ouro é o fluxo: aqui, livro parado é palavra aprisionada. Cada leitor e leitora assume o papel de guardião e mensageiro de histórias, garantindo que o conhecimento viaje pelas estradas de chão batido, atravesse cercas e chegue ao coração da militância. Afinal, como bem lembra a mística dos que caminharam antes de nós, o segredo das grandes travessias reside em dar o primeiro passo. Que os livros sejam, portanto, os nossos passos, e que nossas lutas continuem nutrindo-se de ideias e arte, fazendo brotar, do compromisso coletivo, os frutos maduros de um mundo novo.
*Editado por Fernanda Alcântara