
Integrantes do governo Lula avaliam que o ministro André Mendonça usou a decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como um “termômetro” para medir seu apoio na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a Band.
Auxiliares do Planalto consideram improvável que Mendonça determinasse o afastamento sem esperar votos suficientes para sustentar a medida quando o caso chegar ao colegiado. A leitura é que o ministro buscou testar as condições para decisões futuras ligadas ao mesmo inquérito.
A investigação apura a atuação da diretoria de Inteligência da PF. Na avaliação de interlocutores do governo, Mendonça procurou identificar quais ministros estariam dispostos a acompanhá-lo nas deliberações sobre o caso.
Integrantes do Executivo também acompanham os movimentos na Segunda Turma. Eles apontam que Luiz Fux, presidente do colegiado, já atuou em diferentes momentos mais próximo da ala associada a Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, mas teria se aproximado de Kassio Nunes Marques e Mendonça após o julgamento dos golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro, que condenou Jair Bolsonaro à prisão.

AGU estuda recurso contra alcance da decisão
A cúpula do governo classifica o afastamento como interferência em atribuições do Executivo. Integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) entendem que a ordem pode ter “violado a competência da Presidência da República” para nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal.
A AGU estuda qual instrumento jurídico poderá usar para contestar o alcance do despacho dentro do próprio STF. Entre as alternativas em análise estão recursos para pedir que a Segunda Turma revise a decisão de Mendonça.
Se apresentar o recurso, o governo deve solicitar que o colegiado reavalie as medidas adotadas no inquérito sobre a diretoria de Inteligência da PF. Auxiliares palacianos tratam essa iniciativa como a primeira reação institucional do Executivo à decisão.
O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, criticou publicamente o afastamento. “Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode. O STF precisa tomar providências”, afirmou, defendendo a continuidade das apurações sem atingir, em sua avaliação, a competência presidencial sobre a chefia da PF.