
Auxiliares do presidente Lula reagiram à liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e passaram a cobrar uma posição do advogado-geral da União, Jorge Messias, diante da crise. Com informações da coluna da Daniela Lima no UOL.
Mendonça tomou a decisão a pedido do Partido Novo, legenda de oposição. A medida pegou o governo de surpresa e levou integrantes do Planalto ao Palácio da Alvorada para discutir as consequências do afastamento do chefe da PF.
Nas conversas, auxiliares de Lula avaliaram que o ministro estaria “completamente engajado na eleição, beneficiando Flávio Bolsonaro”. A leitura surgiu após a ordem que retirou Rodrigues do comando da corporação.
O governo também criticou a menção a Messias como parte da engrenagem que levou ao afastamento de Rodrigues. Para integrantes do Planalto, esse trecho representou “a página mais triste dessa história”.

Auxiliares do presidente cobraram que Messias mostre “lado e compromisso com as prerrogativas do presidente”. A pressão recai sobre o advogado-geral da União porque a AGU atua na defesa institucional do governo perante o Supremo.
A discussão no Alvorada ocorreu depois de reuniões acaloradas na semana anterior, inclusive entre Andrei Rodrigues e Messias. O ambiente já havia se deteriorado antes da decisão de Mendonça.
Na última sexta-feira (4), Messias divulgou uma nota para se defender da avaliação da Polícia Federal de que ele havia se omitido diante de um pedido para recorrer ao STF contra decisões de Mendonça. A PF entendia que essas ordens restringiam prerrogativas da instituição por razões pessoais e políticas.
A nota de Messias entrou nos fundamentos usados por Mendonça contra o diretor-geral da PF. O episódio ampliou o desgaste do advogado-geral da União no Planalto, onde ele havia relatado a interlocutores que o ministro avaliava havia algum tempo uma medida mais dura contra Rodrigues.