Governo sanciona programa para ampliar produção nacional de fertilizantes

Entrou em vigor nesta sexta-feira (4) o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), criado para estimular a produção nacional, ampliar a oferta e reduzir a dependência brasileira de importações para o abastecimento da agropecuária.

A Lei 15.496/26 foi sancionada na quinta-feira (3) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um veto. A nova legislação estabelece a mistura obrigatória, em volume, de fertilizantes nacionais sintéticos e minerais aos produtos comercializados, distribuídos e vendidos no Brasil.

Segundo informações da Agência Câmara de Notícias, a exigência começa em 1º de julho de 2027, quando o percentual mínimo de fertilizantes nacionais deverá ser de 2%. A proporção aumentará gradualmente até atingir pelo menos 10% em 1º de janeiro de 2037.

O projeto que deu origem à lei (PL 699/23) foi apresentado pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), enquanto a relatoria ficou com a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Os parlamentares destacaram a necessidade de diminuir a vulnerabilidade do país diante da dependência externa.

De acordo com Laércio Oliveira, o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país. Em seu relatório, Tereza Cristina classificou a dependência externa como uma questão de segurança nacional e alimentar e apontou que conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, podem comprometer o abastecimento brasileiro.

Mistura nacional e financiamento para a indústria

A definição dos percentuais de mistura ficará a cargo do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), responsável pela coordenação das políticas públicas relacionadas ao setor.

Além do percentual geral, o conselho deverá estabelecer a participação obrigatória de fertilizantes nacionais para cada componente utilizado na formulação dos produtos.

A legislação determina que a mistura será de pelo menos 2% a partir de julho de 2027 e deverá alcançar ao menos 10% até janeiro de 2037. O Confert também terá a atribuição de acompanhar os resultados do programa e publicar anualmente um relatório de avaliação.

Outro eixo do Profert é a criação de condições de financiamento para a cadeia de fertilizantes e suas matérias-primas, incluindo nitrogênio, fósforo e potássio, componentes do tradicional fertilizante NPK.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou instituições financeiras habilitadas por ele, poderá financiar projetos voltados à estabilização de preços, instalação de plantas industriais, pesquisa e inovação, além de infraestrutura e logística para produção e distribuição. Também poderão ser financiadas outras iniciativas que venham a ser definidas pelo Poder Executivo.

Para ter acesso aos financiamentos do programa, as empresas precisarão ser habilitadas no Profert e cumprir critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Entre as exigências estão medidas de apoio ao desenvolvimento local, compensação das emissões de gases de efeito estufa e busca por maior eficiência energética.

Empresas enquadradas no Simples Nacional e aquelas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido não poderão participar do programa.

A legislação também contempla alternativas aos fertilizantes produzidos a partir das matérias-primas tradicionais de nitrogênio, fósforo e potássio. Entre elas estão os remineralizadores, obtidos a partir de rochas silicáticas moídas. Esses produtos podem contribuir para melhorar características físicas, químicas e biológicas do solo e favorecer o fornecimento regionalizado de nutrientes.

Na sanção da lei, o governo federal vetou o trecho que definia fertilizantes como produtos “extraídos e produzidos no território nacional”. Segundo a justificativa do Planalto, a definição poderia entrar em conflito com a possibilidade prevista na própria legislação de utilização de fertilizantes importados em mistura com produtos nacionais.

Artigo Anterior

Como Trump transformou bilionário investigado em parceiro no petróleo da Venezuela

Próximo Artigo

Delegados da PF pedem impedimento de Gonet em apuração que o menciona

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!