
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou neste sábado (5) em Ponta Grossa, no Paraná, para visitar Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro condenado definitivamente a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. A assessoria do presidenciável classificou o encontro como “estritamente pessoal” e sem caráter eleitoral, mas a chegada à Cadeia Pública Hildebrando de Souza ocorreu ao lado de uma comitiva de aliados e candidatos, entre eles Sérgio Moro, que disputa o governo paranaense, e Filipe Barros, candidato ao Senado.
Também acompanharam a agenda a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, os candidatos a deputado federal Ricardo Arruda e Rosângela Moro e os candidatos a deputado estadual Ricardo Zampieri e Jessicão. A visita, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorreu enquanto apoiadores se concentravam do lado de fora da cadeia. Flávio já havia reservado o compromisso em plena campanha presidencial e, segundo apuração anterior, dizia considerar Martins preso injustamente.
Foi o advogado Jeffrey Chiquini, porém, quem explicitou o conteúdo político da movimentação. Ele afirmou que o encontro representava a defesa dos chamados “presos políticos” e disse que essa causa será uma das prioridades de Flávio caso o candidato seja eleito presidente. “Os presos políticos não estão esquecidos. É isso que representa isso hoje”, declarou ao Metrópoles.
Chiquini foi além e chamou a prisão de Martins de ilegal. “Ele não é só um preso ilegal, ele está sequestrado por um Estado tirano”, afirmou. O advogado também citou Jair Bolsonaro, condenado no processo da trama golpista, e disse que o ex-presidente “não está esquecido”. As declarações tentam enquadrar como perseguição política condenações impostas pelo Supremo em ações penais sobre a tentativa de impedir a posse de Lula após a eleição de 2022.
➡️ Com chuva e presença de apoiadores, Flávio visita Filipe Martins em cadeia pic.twitter.com/P1MOLFZPiH
— Metrópoles (@Metropoles) September 5, 2026
No caso de Martins, porém, a situação jurídica está encerrada quanto à condenação. A Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O Supremo atribuiu ao núcleo do qual ele fazia parte atuação na operacionalização da ruptura institucional, incluindo a elaboração e circulação da chamada “minuta do golpe”.
Em abril, Moraes determinou o início do cumprimento da pena depois do trânsito em julgado. Martins cumpre 21 anos em regime fechado e também foi condenado, de forma solidária com outros envolvidos, ao pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. A condição de condenado definitivo contrasta diretamente com a expressão “preso político” adotada por sua defesa e por aliados bolsonaristas.
A visita é a única agenda pública de Flávio neste fim de semana. Na segunda-feira (7), ele volta à campanha com uma mobilização convocada para a Avenida Paulista, em São Paulo. A passagem pela cadeia de Ponta Grossa, cercada por candidatos e acompanhada da promessa de transformar a defesa de condenados da trama golpista em prioridade política, antecipa um dos eixos que o bolsonarismo pretende carregar para a reta final da eleição presidencial.