
O cantor bolsonarista Luciano Camargo pediu orações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano para milhares de pessoas em Blumenau, em Santa Catarina. A manifestação ocorreu na terça-feira (1º), dois dias antes de Alexandre de Moraes apontar fortes indícios de irregularidades cometidas pelo magistrado.
“Um cara que eu admiro e respeito e tudo mais. Vamos pedir oração para esse homem”, declarou Luciano no encerramento da apresentação na Vila Germânica.
O cantor também revelou seu vínculo religioso com Mendonça. “É um homem que não tem medo de colocar aquilo que ele crê, aquilo que ele acredita. Pastor da igreja que eu congrego em São Paulo e que está, assim, fazendo diferença neste país”, afirmou.
Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, que prometera escolher um ministro “terrivelmente evangélico”. Antes da nomeação, ele comandou a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça durante o governo bolsonarista.
🚨VEJA: Zezé Di Camargo e Luciano pedem orações por André Mendonça durante show lotado em SC pic.twitter.com/ux1uhddfnm
— Meio Independente (@meioindep) September 3, 2026
A apresentação também teve uma manifestação política de Zezé Di Camargo, outro apoiador de Bolsonaro. Ao elogiar Santa Catarina, o sertanejo afirmou: “Aqui no estado um lado nunca governou”. A declaração, uma referência indireta à esquerda, foi recebida com aplausos pelo público.
Zezé disse ainda que possui um apartamento em Itapema e considera Santa Catarina uma de suas casas. O show integrou a programação realizada na véspera do feriado pelos 176 anos de Blumenau.
O pedido de orações ocorreu antes da divulgação da decisão em que Moraes atribuiu a Mendonça possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Relatórios da Polícia Federal apontam suspeitas de interferência em investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento político de alvos.
As acusações foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin, para as providências consideradas necessárias. Mendonça, que chegou à Corte como representante do projeto político e religioso de Bolsonaro, agora enfrenta a maior crise desde que assumiu o cargo.