Adilson Araújo, presidente da CTB
No momento em que a classe trabalhadora e o movimento sindical procuram intensificar a luta pelo fim da desumana escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o candidato da extrema direita à presidência da república, Flávio Bolsonaro, anuncia seu apoio à famigerada PEC dos patrões, que propõe a remuneração por horas trabalhadas e a redução e flexibilização dos direitos trabalhistas.
A remuneração por horas permite que os empresários paguem a seus assalariados um salário inferior ao salário mínimo, além de reduzirem os descontos para FGTS e Previdência. É considerada muito lucrativa para os patrões e extremamente perversa e prejudicial para os trabalhadores e trabalhadoras.
Luta de classes e eleições
Por essa e outras razões, e também por contar com amplo apoio dos grandes capitalistas, a proposta foi batizada de PEC dos patrões. Uma obra do senador bolsonarista Rogério Marinho (PL/RN), o relator da malfadada reforma trabalhista do governo Temer, que destruiu direitos e fragilizou os sindicatos. Tem o objetivo diversionista de tumultuar o debate sobre o fim da escala 6×1 e impedir a votação da proposta aprovada na Câmara Federal.
Esses e outros fatos mostram que existe uma estreita correlação entre as lutas da classe trabalhadora e as eleições de outubro, cujos resultados serão decisivos para o futuro do povo brasileiro e dos direitos sociais, assim como para a soberania nacional e a democracia.
De um lado, temos aqueles que defendem a manutenção e ampliação dos mecanismos de superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras, como a desumana escala 6×1, fonte de cansaço, estresse, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Destaca-se, neste time, o filho 01 do golpista Jair Bolsonaro.
Do outro, estão os que defendem os direitos e a dignidade da classe trabalhadora. Não restam dúvidas de que o presidente Lula pertence a este time. A escolha é clara. Não queremos trabalhar menos para ganhar menos e viver exaustos e doentes. Queremos trabalhar menos e viver mais.
Derrotar a extrema direita
Devemos rejeitar a falsa liberdade de negociar individualmente nossa própria precarização. Vamos lutar por direitos, salários dignos e proteção coletiva.
Denunciamos as falsas alternativas criadas e difundidas pela mídia burguesa para desviar nossa luta. Queremos o fim da desumana escala 6×1 e a redução da jornada sem redução de salários. Essa é uma luta pelo tempo livre para a vida, é também uma luta pela dignidade. E, em outubro, essa luta vai se expressar nas urnas.
Lideranças e militantes do movimento sindical, especialmente da CTB, devem procurar interligar a luta pelo fim da escala 6×1 e instituição das 40 horas semanais sem redução de salários (que teve nesta quarta-feira, 16, uma grande vitória com a aprovação do relatório do senador Osmar Aziz pela CCJ do Senado) com as eleições gerais de outubro, pois é fundamental reeleger Lula e derrotar a extrema direita para preservar e ampliar os direitos trabalhistas e avançar na direção de um Brasil mais justo, soberano e democrático.