As enchentes repentinas que atingiram o norte do Nepal deixaram 987 mortos e 3.916 desaparecidos, segundo o balanço mais recente da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMA), divulgado pela Nepal Red Cross Society (NRCS).
O boletim da Cruz Vermelha, atualizado nesta terça-feira (1º), aponta ainda que 11.814 pessoas foram resgatadas desde o início da operação de emergência.
O desastre afetou cinco distritos, sendo Rasuwa e Nuwakot os mais atingidos, e alcançou aproximadamente 1,6 milhão de pessoas. Também foram registrados impactos em Dhading, Gorkha e Chitwan. A destruição de estradas, pontes, sistemas de energia, redes de telecomunicações e outras estruturas públicas, entretanto, continua dificultando o acesso das equipes de emergência às comunidades afetadas.
A dimensão da crise é especialmente grave em Rasuwa, distrito próximo à fronteira com o Tibete. 3.702 famílias, ou 14.461 pessoas, permanecem isoladas nas municipalidades rurais de Gosaikunda e Amachhodingmo.
Desse total, são 7.453 homens e 7.008 mulheres, incluindo 3.650 crianças e 1.204 idosos. Segundo a Cruz Vermelha, essas comunidades estão há até seis dias com estradas, eletricidade e serviços de comunicação interrompidos, o que limita o acesso a alimentos, medicamentos, água e outros itens essenciais.
As enchentes também provocaram danos severos à infraestrutura de transporte. Ao menos 41 pontes rodoviárias foram destruídas e outras quatro sofreram danos.
Com as rotas terrestres comprometidas, equipes humanitárias estão utilizando caminhões, veículos com tração nas quatro rodas e helicópteros para transportar alimentos, materiais de emergência e outros suprimentos. Equipamentos de comunicação também foram enviados às áreas onde os serviços de telecomunicações continuam interrompidos.
A busca por pessoas desaparecidas continua sendo uma das principais frentes da operação humanitária. A Nepal Red Cross Society recebeu 116 pedidos de localização de familiares por meio de sua linha de emergência e de plataformas de redes sociais.
Voluntários foram mobilizados na sede da organização e em hospitais de Kathmandu, incluindo o Bir Hospital, o Trauma Center e hospitais universitários, para auxiliar na localização e identificação de vítimas.
A organização também distribuiu 1.930 sacos para corpos e mantém estruturas de apoio para identificação e gerenciamento dos mortos. Até o momento, sete corpos já identificados foram transportados pela Cruz Vermelha de volta para suas famílias, com os custos de transporte e outras despesas básicas cobertos pela organização.
O número de desaparecidos, porém, não significa necessariamente que todas essas pessoas estejam mortas. Em várias localidades, a interrupção das redes de comunicação e o isolamento das comunidades dificultam o contato entre familiares e autoridades, fazendo com que a localização de sobreviventes ainda seja uma das prioridades da operação.
A atualização da Nepal Red Cross Society mostra que, quase uma semana após o desastre, o Nepal ainda enfrenta uma emergência de grandes proporções: milhares de pessoas permanecem desaparecidas e comunidades inteiras continuam isoladas pela destruição da infraestrutura. Em Rasuwa, particularmente, o corte simultâneo de estradas, eletricidade e telecomunicações transforma o acesso à ajuda humanitária em um dos principais desafios da operação.
As equipes da Cruz Vermelha seguem trabalhando em conjunto com autoridades governamentais e outras organizações para restabelecer o acesso às áreas afetadas, distribuir suprimentos, localizar desaparecidos e oferecer assistência às famílias atingidas. O balanço oficial, contudo, ainda pode mudar à medida que as equipes de resgate conseguem chegar às regiões que permanecem isoladas.