Da Redação
Nova pesquisa presidencial coloca Lula oito pontos à frente de Flávio Bolsonaro no cenário sem Pablo Marçal e confirma Augusto Cury em dois dígitos, movimento que também apareceu no levantamento BTG/Nexus divulgado na véspera. Apesar da vantagem de Lula no primeiro turno, Real Time Big Data registra empate de 44% a 44% entre presidente e senador numa eventual disputa direta.
A corrida presidencial começa setembro com uma configuração que se torna mais nítida a cada nova pesquisa: Luiz Inácio Lula da Silva permanece na liderança, Flávio Bolsonaro continua como seu principal adversário e Augusto Cury deixa de aparecer apenas como um candidato periférico para ocupar um espaço relevante na disputa pelo terceiro lugar. Levantamento do Real Time Big Data divulgado nesta terça-feira mostra Lula com 38% das intenções de voto, Flávio com 30% e Cury com 11% no cenário estimulado sem Pablo Marçal.
A vantagem de Lula sobre Flávio é de oito pontos percentuais nesse cenário. Depois dos três primeiros aparecem Renan Santos, com 7%, Ronaldo Caiado, com 4%, e Romeu Zema, com 2%. Os demais candidatos somam conjuntamente 2%, enquanto brancos e nulos representam 3% e outros 3% não souberam ou preferiram não responder.
Há uma particularidade importante no levantamento. O Real Time Big Data testou também uma configuração incluindo Pablo Marçal, cuja situação eleitoral ainda depende da Justiça Eleitoral. Nesse cenário, Lula permanece com 38%, enquanto Flávio aparece com 29%, Cury com 10%, Renan Santos com 6%, Caiado com 4%, Marçal com 3% e Zema com 2%.
Portanto, os 38%, 30% e 11% destacados na divulgação correspondem especificamente ao cenário sem Marçal. A inclusão dele praticamente não altera a posição de Lula, mas distribui alguns pontos entre os demais concorrentes.
O dado politicamente mais significativo, porém, talvez esteja na terceira posição. Cury alcança novamente os dois dígitos justamente um dia depois de outra pesquisa nacional registrar movimento semelhante. Na BTG/Nexus divulgada na segunda-feira, o candidato do Avante também apareceu com 11%. Naquele levantamento, havia saltado nove pontos em uma semana no cenário que incluía Marçal.
São institutos diferentes, com metodologias e amostras distintas, e por isso os percentuais não devem ser tratados como se integrassem uma única série histórica. Ainda assim, quando pesquisas independentes realizadas em períodos próximos detectam um candidato em patamar semelhante, o movimento passa a merecer acompanhamento especial.
O quadro fica ainda mais interessante quando acrescentada a AtlasIntel/Bloomberg divulgada na segunda-feira. Nela, Cury alcançou 7,8%, depois de registrar apenas 1,6% na rodada anterior. Assim, AtlasIntel, BTG/Nexus e Real Time Big Data identificaram, em graus diferentes, crescimento ou presença relevante de Cury na reta final de agosto.
Isso ainda não significa que a eleição tenha deixado de ser polarizada entre Lula e Flávio. Os dois continuam muito distantes dos demais candidatos e concentram a maior parcela das intenções de voto. O que os levantamentos recentes começam a sugerir é a formação de um terceiro espaço eleitoral que poderá interferir na dinâmica da campanha, na distribuição do voto no primeiro turno e, eventualmente, na transferência de votos para uma segunda rodada.
Lula lidera no primeiro turno, mas segundo turno permanece apertado
Se o primeiro turno do Real Time Big Data apresenta uma vantagem confortável de Lula sobre Flávio, o cenário muda completamente quando os dois são colocados frente a frente.
A pesquisa registra 44% para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos chegam a 9%, enquanto 3% não souberam ou não responderam. Trata-se de empate não apenas técnico, mas numérico.
A comparação com a rodada anterior exige alguma atenção porque diferentes reportagens fazem referência a bases anteriores distintas. Na série citada pelo UOL, Flávio cresceu quatro pontos e Lula um em relação ao levantamento de junho. Já a reportagem reproduzida pelo Brasil 247 menciona uma rodada de julho na qual Lula aparecia com 45% e Flávio com 42%. O resultado atual, independentemente da referência utilizada, mostra uma disputa direta extremamente competitiva.
Esse resultado também conversa com outros levantamentos recentes. A BTG/Nexus mostrou Lula com 46% e Flávio com 45%, igualmente dentro da margem de erro. A AtlasIntel/Bloomberg, por sua vez, encontrou uma vantagem maior para o presidente, de 47,1% a 42,6%. Como os institutos utilizam metodologias diferentes, o correto não é escolher isoladamente a pesquisa mais favorável a um dos candidatos, mas acompanhar as séries e verificar se determinada tendência se repete.
O Real Time Big Data também testou Lula contra outros adversários. Ronaldo Caiado aparece numericamente à frente do presidente, com 45% a 43%, resultado que configura empate técnico diante da margem de erro de dois pontos percentuais. Contra Romeu Zema, Lula registra 43% e o candidato do Novo, 40%. Diante de Renan Santos, o presidente tem 44% contra 37%; contra Pablo Marçal, 44% a 40%.
Há uma ausência particularmente relevante: o instituto não testou um eventual segundo turno entre Lula e Augusto Cury. Com Cury alcançando 11% e aparecendo novamente em dois dígitos, essa simulação passa a ganhar interesse nas próximas rodadas.
A pesquisa espontânea também ajuda a medir a consolidação das candidaturas. Quando os entrevistadores não apresentam uma lista de nomes, Lula aparece com 35%, Flávio com 25%, enquanto Cury e Renan Santos registram 4% cada. Caiado tem 2%. Nesse tipo de pergunta, 11% declaram voto branco ou nulo e 16% ainda não sabem ou não respondem.
A distância entre os 11% de Cury na estimulada e seus 4% na espontânea oferece uma informação relevante sobre o estágio atual de sua candidatura. Há um contingente expressivo de eleitores disposto a escolhê-lo quando seu nome é apresentado, mas uma parcela menor o menciona espontaneamente como candidato presidencial. Isso sugere que o crescimento detectado nas últimas pesquisas ainda precisa ser testado ao longo da campanha para verificar seu grau de consolidação.
Outro indicador produzido pelo Real Time Big Data mostra uma vantagem mais ampla de Lula na percepção sobre quem efetivamente vencerá a eleição. Independentemente da preferência pessoal, 49% dos entrevistados acreditam que Lula será o próximo presidente, enquanto 36% apostam em Flávio Bolsonaro. Renan Santos é citado por 5%, Cury por 4% e Pablo Marçal por 1%.
Percepção de vitória não equivale a intenção de voto, mas é um indicador útil porque mede como o eleitor enxerga a correlação de forças da disputa. Nesse quesito, Lula possui vantagem superior àquela observada na intenção de voto.
Três pesquisas colocam Cury no centro das atenções
O conjunto dos levantamentos divulgados desde segunda-feira cria uma novidade que dificilmente poderá ser ignorada pelas campanhas.
Na BTG/Nexus, Cury alcançou 11%. No Real Time Big Data, chega igualmente a 11% no cenário sem Marçal e 10% com ele. Na AtlasIntel, atingiu 7,8%. As metodologias não permitem simplesmente calcular uma média aritmética desses resultados, mas a coincidência temporal indica que vale observar com atenção as próximas pesquisas para saber se existe uma mudança duradoura no eleitorado ou uma oscilação concentrada neste momento da campanha.
Há também sinais de aumento da atenção digital em torno de sua candidatura. Segundo dados da consultoria Bites citados pela Folha de S.Paulo, os perfis oficiais de Cury ganharam cerca de 2,6 milhões de seguidores em uma semana, expansão de 18% de sua base, e ele se tornou o segundo presidenciável mais procurado no Google no período analisado, atrás apenas de Lula. A própria consultoria advertiu que os dados digitais, isoladamente, não permitem descartar componentes artificiais, embora também tenha identificado interesse distribuído em buscas, interações e menções fora do Instagram.
É cedo, portanto, para transformar o crescimento em tendência irreversível. Campanhas presidenciais frequentemente registram movimentos rápidos que depois se estabilizam ou desaparecem. A exposição pública crescente também submete um candidato a escrutínio muito maior sobre propostas, trajetória, alianças, declarações e capacidade de enfrentar debates nacionais.
O fato novo é que Cury passa a ocupar um espaço que até recentemente permanecia pulverizado entre diferentes candidaturas.
Isso pode ter consequências para Lula e Flávio. Um terceiro candidato competitivo interfere na matemática do primeiro turno, disputa segmentos ainda pouco cristalizados e pode alterar a estratégia dos dois líderes. Também aumenta a importância de compreender de onde vêm esses novos eleitores — se anteriormente estavam indecisos, se migraram de algum candidato específico ou se estavam distribuídos entre diferentes nomes.
O levantamento divulgado nesta terça-feira, portanto, apresenta duas fotografias simultâneas. Na primeira, Lula continua liderando com oito pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Na segunda, quando a disputa é reduzida aos dois principais candidatos, essa vantagem desaparece e ambos chegam exatamente aos mesmos 44%.
Entre essas duas imagens surge Augusto Cury, agora novamente com dois dígitos.
É essa combinação — liderança de Lula no primeiro turno, competitividade de Flávio no segundo e crescimento de Cury na terceira posição — que torna o início de setembro uma etapa especialmente importante da eleição presidencial.
O Real Time Big Data ouviu 2 mil eleitores em todo o país entre 27 e 31 de agosto, por telefone, com entrevistadores humanos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03490/2026.