
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, suspenderá as agendas de campanha nesta terça-feira para permanecer em Brasília e acompanhar as articulações em torno da PEC que acaba com a escala 6×1. Contrário à mudança defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele busca construir uma proposta alternativa para a jornada de trabalho. Com informações do Globo.
Flávio defende flexibilizar as relações trabalhistas, em vez de fixar uma nova jornada na Constituição. Em entrevista à Record no domingo, ele afirmou: “Eu defendo a liberdade do trabalhador. O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar”.
Aliados do senador querem transformar esse discurso em contraponto à proposta apoiada pelo governo. No entorno do candidato, há a avaliação de que rejeitar simplesmente o fim da escala 6×1 pode desgastá-lo, diante da adesão popular à redução da jornada.
Pesquisa Quaest realizada em julho apontou que 69% dos brasileiros apoiam a mudança na escala de trabalho, enquanto 22% se dizem contrários. O dado amplia a preocupação da oposição de que Lula associe a direita à resistência à redução da jornada.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pretende usar instrumentos regimentais para dificultar uma aprovação rápida da PEC durante o esforço concentrado do Congresso. A estratégia inclui pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça, análise das emendas e oposição a acordos que reduzam os prazos para os dois turnos de votação.
O Congresso também prevê para esta terça-feira a análise da medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”. A MP faz parte do acordo fechado por Lula com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avançar com matérias prioritárias antes das eleições.
Flávio não deve participar da votação da medida provisória, e seus aliados não planejam uma ofensiva para derrubá-la. Se o texto perder a validade, a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 volta a vigorar; o Congresso precisa votar a MP até 8 de setembro.
Apesar de acompanhar as discussões nesta terça, Flávio não deve estar na votação da PEC da escala 6×1 na quarta-feira, na CCJ. Ele viajará ao Rio Grande do Sul para participar de uma feira do agronegócio e gravar material para o horário eleitoral de aliados, entre eles Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo estadual.