Estados Unidos e Venezuela celebram acordo-pilhagem

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Donald Trump comemora publicamente um “acordo” com a Venezuela. Oficialmente, os Estados Unidos, mediante empresas privadas, investirão 100 bilhões de dólares na indústria petrolífera venezuelana, obtendo controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris do “ouro negro”. A encarregada do protetorado, Delcy Rodriguez, celebrou a entrega do subsolo nacional aos invasores como uma oportunidade imperdível de recuperar a indústria local do hidrocarboneto, gerar empregos, receber tributos e coisa e tal.

Começa agora, concretamente, a pilhagem anunciada com descaramento por Donald Trump quando sequestrou o presidente Nicolas Maduro e sua esposa, Cila Flores, em 3 de janeiro último. Ditador tosco em processo de esfarelamento, Maduro foi capturado sem resistência pelos algozes do norte, diante de uma condescendência vexatória exibida por sua vice, Delcy Rodriguez.

Em 7 de janeiro, este jornalista, junto com outros mais brilhantes, aventou a possibilidade de Delcy Rodríguez e outros da cúpula madurista terem sido cooptados pelo imperialismo americano, oferecendo pouca ou nenhuma resistência contra a invasão. Seria por que, após um brevíssimo manifesto de indignação, ela proferiu um discurso covarde e bajulador, entendido por incautos como estratégico?

Enquanto a ex-vice acomodava-se na cadeira presidencial, Donald Trump seguia de Washington avisando que tomaria para si o petróleo venezuelano e com ele faria o que bem entendesse. A ameaça realiza-se agora com celebração da pilhagem batizada de “acordo”.

Suspeitar da lealdade de Delcy Rodríguez rendeu a este jornalista, por parte de stalinistas, a patética classificação de “agente da CIA”. Sim, pois estaria o colunista “fazendo o jogo” dos capitalistas do Norte e cevando desavenças entre os camaradas bolivarianos. Deixemos para lá, pois qualquer pessoa podia sentir no ar o odor de concertação que envolvia o governo americano e a cúpula estatal venezuelana.

Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela. Foto: reprodução

Afirmamos ontem e reiteramos hoje ser impossível resistir à comparação entre a Venezuela de Delcy e a França do marechal Philippe Pétain, colaboracionista do Reich alemão e líder da chamada França de Vichy, administrador da Zona Livre francesa durante a Segunda Guerra Mundial e que envergonha até o hoje os verdadeiros franceses.

Em junho de 1940, a França foi rapidamente vencida pelas tropas alemãs. Um armistício foi assinado com Hitler, que dividiu o país em duas partes – Zona Ocupada (norte e litoral atlântico, sob controle direto da Alemanha), e  Zona Livre (sul da França, governada por um governo francês com sede na cidade de Vichy). Esse governo passou a ser conhecido como França de Vichy, que colaborou ativamente com a Alemanha nazista, não apenas por imposição militar, mas por escolha política.

O regime de Vichy pagava valores astronômicos para sustentar o exército alemão em solo francês. Matérias-primas, maquinários industriais, rebanhos e produtos agrícolas franceses eram confiscados rotineiramente para abastecer o esforço de guerra alemão e manter o padrão de vida na Alemanha. Centenas de milhares de cidadãos franceses foram deportados para o território do Terceiro Reich para trabalhar compulsoriamente nas indústrias de armamento alemãs.

Depois da guerra, como se sabe e para não nos alongarmos, a integridade da França foi restabelecida e Pétain foi condenado à morte, tendo a pena comutada para prisão perpétua. O que será de Delcy Rodriguez quando a invasão americana da Venezuela acabar?

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