
Uma planilha apreendida pela Polícia Federal em 2022 com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, associa o nome de Gutemberg Fonseca (PL-RJ) a uma movimentação de R$ 727 mil, segundo o UOL. O ex-secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro é aliado e amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio indicou Gutemberg para a secretaria durante o governo de Cláudio Castro (PL), em 2023. O ex-árbitro de futebol ocupou o posto entre outubro daquele ano e abril de 2026, quando deixou a função para disputar uma cadeira de deputado federal.
Gutemberg negou qualquer relação com Adilsinho e com empresas gráficas investigadas. “Eu não sei nem quem é esse cidadão, esse vagabundo que está preso, esse tal de Adilsinho. Até porque água e óleo não se misturam”, disse.
A PF atribui a Adilsinho participação na cúpula do jogo do bicho no Rio e aponta que ele comandava um esquema de falsificação e distribuição de cigarros. O político não é investigado formalmente, e a corporação ainda analisa os dados das planilhas para verificar se as movimentações anotadas ocorreram de fato.

PF analisa planilhas com nomes de políticos do Rio
Três planilhas reunidas na investigação vinculam R$ 29,3 milhões a mais de 60 políticos fluminenses. A relação que cita Gutemberg reúne nomes, partidos e valores que superam R$ 21 milhões e, para os investigadores, pode indicar capacidade financeira, influência política e penetração institucional do grupo.
Os investigadores suspeitam que os documentos integrem uma contabilidade paralela de grande escala. A apuração busca cruzar os nomes anotados com fornecedores gráficos usados em campanhas e identificar possíveis contrapartidas durante mandatos ou no exercício de funções públicas.
Uma das gráficas mencionadas pela PF emitiu, em 2022, notas fiscais de materiais de campanha para Gutemberg que somam R$ 41 mil e não constavam em sua prestação de contas. O TRE-RJ determinou que ele devolvesse R$ 42 mil aos cofres públicos; ele não recorreu e optou por parcelar o pagamento em 60 vezes.
Gutemberg afirmou que denunciou a gráfica ao Ministério Público após o questionamento da Justiça Eleitoral e disse que aceitou o pagamento para preservar sua situação eleitoral. A empresa declarou ter provas de que foi contratada pelo político, mas não apresentou os documentos; na campanha atual, ele usa imagens de Flávio e se identifica como integrante do “time Flávio Bolsonaro”.