
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, terão uma reunião virtual na segunda-feira (31), às 14h30, para retomar as negociações sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam a conversa como “exploratória”, destinada a identificar possibilidades de diálogo sobre as relações comerciais. O governo brasileiro não espera uma solução definitiva para a disputa nesse primeiro encontro.
A reunião será a primeira entre negociadores dos dois países desde a entrada em vigor das novas cobranças. O Ministério do Desenvolvimento confirmou que Greer procurou o governo brasileiro depois da conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump para reabrir as negociações.
O governo Lula considera “infundadas” as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as medidas tarifárias. A delegação brasileira deverá sustentar essa posição no diálogo com o representante comercial americano.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos impôs uma tarifa de 25% a determinados produtos brasileiros em uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais. Em outro processo, relacionado à importação de itens produzidos com trabalho forçado, adotou alíquotas de até 12,5%.
Lula e Trump conversaram por mais de uma hora por telefone na sexta-feira (21), em uma tentativa de reduzir a tensão provocada pelo tarifaço e por atritos diplomáticos entre os dois governos. A reunião de segunda-feira é o primeiro desdobramento formal dessa retomada de contato.
Ao comentar a negociação nesta quinta-feira (27), Elias Rosa disse esperar um “diálogo difícil”, mas afirmou que recebeu de Lula a orientação de manter as conversas. “Eu sou um otimista. Negociador pessimista perde. Eu sou otimista, mas é óbvio que vai ser um diálogo difícil porque já foi difícil no passado. Mas nós já sabemos qual o caminho a percorrer”, declarou.
O ministro também afirmou que o Brasil não apresentará propostas que prejudiquem o país durante a negociação com os Estados Unidos. “Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional”, disse Elias Rosa.