Perícia de produtora do Dark Horse aponta que 72% dos R$ 75 milhões foram gastos nos EUA

Dark Horse conta com cena que tem presença de um "enfermeiro gay"
O ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, afirma que 72% dos R$ 75 milhões declarados como custo da cinebiografia de Jair Bolsonaro foram gastos nos Estados Unidos. Dos cerca de R$ 75,1 milhões analisados, R$ 54,2 milhões teriam sido desembolsados no exterior e R$ 20,92 milhões no Brasil. O documento foi entregue em junho à Polícia Civil de São Paulo e teve novos detalhes divulgados nesta quarta-feira (26) pela CNN Brasil.

Nos Estados Unidos, o relatório aponta despesas de US$ 383,1 mil com desenvolvimento, US$ 2,66 milhões com pré-produção, US$ 1,97 milhão durante as filmagens e US$ 1,95 milhão com pós-produção, além de outros gastos. O custo total declarado pela produção é de aproximadamente US$ 13,4 milhões.

O documento afirma ainda que 100% dos aportes destinados ao filme chegaram por meio do Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos. A perícia, entretanto, não identifica os investidores responsáveis pelos recursos. Esse ponto é relevante porque o Havengate recebeu R$ 61 milhões de empresas ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em operações relacionadas ao financiamento do longa.

O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A Polícia Federal busca esclarecer o caminho do dinheiro enviado ao Havengate e já avaliou a necessidade de cooperação internacional para acessar informações bancárias mantidas no país.

O ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

No Brasil, a perícia afirma que R$ 18,47 milhões dos R$ 20,92 milhões movimentados foram pagos por Pix, o equivalente a 88,29% do total. Outros R$ 2,34 milhões foram desembolsados por boletos. O laudo não apresenta nominalmente todos os destinatários finais desses pagamentos. Segundo o perito Anisio Castelo Branco, contratado pela Go Up, a omissão ocorreu “em respeito à LGPD”.

O mesmo profissional afirmou não ter encontrado transferências entre recursos públicos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil e as contas utilizadas para “Dark Horse”. O instituto e a Go Up são controlados por Karina Ferreira da Gama. Essa conclusão, porém, é de uma perícia contratada pela própria produtora e se limita aos documentos disponibilizados para sua análise. Não representa conclusão da Polícia Civil ou da Polícia Federal sobre a origem e o destino dos recursos.

A relação entre as duas estruturas permanece sob investigação. A polícia apura possíveis irregularidades no contrato do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para o programa de Wi-Fi público e já apontou suspeitas de confusão patrimonial. Nesta quarta-feira, a Polícia Federal recebeu da Polícia Civil paulista informações da operação envolvendo a produtora, após autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A corporação também investiga os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro e eventuais contrapartidas relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Artigo Anterior

“Apresenta para nós”: Mamãe Falei debocha da avó ucraniana de Nat Boulos

Próximo Artigo

Representante de Trump critica Israel na ONU e cobra avanço do acordo para Gaza

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!